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6 de mar. de 2020

J J Cale [XXI]

Capa do Album: Florian Schulz

Grande J J Cale!!! O cara ficou conhecido, primeiramente, pelas músicas que fez e que foram gravadas e se tornaram hits com outros artistas: com seu amigo Eric Clapton ("Cocaine", "After Midnight"), além de "Call me the Breeze" com  o supergrupo Lynyrd Skynyrd. Talvez um pouco desmerecido, J. J Cale fez ótimos albúns como " Naturally - 1971" e "Troubador - 1976".Aqui disponibilizo a coletânea pessoal XXI com 14 músicas  contemporâneas entre os anos de 2000 a 2011 que mostram a grande máquina de fazer música que o cara era.  J.J nos deixou em 2013, aos 71 anos. Sinceramente, acho o som demais!
Viva J J Cale!
Precisamos de mais músicos do que de soldados!
Munição Sonora Já!!!

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2) Aós clicar no nome acima, abrirá a página do MEGA, então tem um link no alto da página escrito "baixar como zip", onde deve clicar para fazer cópia e/ou baixar o CD. Após baixar o CD, sugiro copiar as músicas da pasta zipada  para uma pasta no seu computador. Fica mais fácil reproduzir.

29 de fev. de 2020

Bem Blusão Bão #3

Capa do CD

Chegando com a coletânea pessoal "Bem Blusão Bão" em sua terceira edição com 18 sonzeiras de  artistas novos e consagrados tocando o melhor do Blues na atualidade. 
Estão presentes na coletânea: Sandy Ross, Simon Kinny-Lewis, Van Morrison, Jamell Richardson, Joe Percy, Jerimiah Marques, Cristone "Kingfish" Ingram, B.B & The Blues Schakes, The Nick Moss Band, Eric Clapton, John Hiatt, Richard Finley e Watermelon Slim.
Munição Sonora Já!

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21 de fev. de 2020

Púrpura Íntegra

Foto: N/A

Em um início de divã, Fátima retira do bolso da calça um pedaço de papel e inclinando a cabeça levemente para a esquerda, onde estava seu médico terapeuta, diz secamente – “Hoje vou ler meu escrito diário e será só isso a sessão”. O médico, sem nada dizer, olhando para baixo, balança a cabeça positivamente à paciente, que imediatamente começa a leitura.

“Queria estudar, enlouqueci. Queria amar, sofri. Queria voar, submergi. Que quentura ainda existe nessas veias? Que calor, oh senhor, será capaz de iluminar as trevas e os curdos? Quais os planos de conquista, acumulação para amanhã?
Queria sonhar, violentaram-me e sorri. Queria tocar o céu, desisti de Deus. E agora, púrpura, já consigo sair de casa, escovar os dentes, responder aos recados de amigos e vendedores, pegar no sono, ver os infernais, passear por Paraisópolis e trocar três contos com qualquer alma viva ou morta.
Mas, que aventura pode existir depois da curva da monotonia? Logo advém de graça, como uma cobertura de um sorvete, o pavor, oh senhor, o pavor da dúvida, de ser capaz de relativizar mais uma vez ás pressas, quitar os juros de empréstimo para usar minha HP-12 C, as metas a serem dominadas e reembolsadas em minha conta e que não levarei para minha cova e uma gama enorme de pessoas sofridas (e muito) pelas calçadas do mundo.
Queria tocar o céu, e agora púrpura, feliz por levantar da cama, comer ovos mexidos, o café enviado de minas, o cigarro aceso, o rapé, o cabaré e a grana do contrato... tudo de forma objetiva, escalonaria e obsessiva: no melhor jeito de ser humano!
Queria encontrar os olhos do meu médico, nestes 5 anos em que toda a semana, uma vez por semana, tenho que pegar três ônibus e cruzar esta cidade maldita, na esperança ridícula de que algum dia iremos ter o encontro mágico dos olhos! Quem precisa de tratamento? Estou curada, isso mesmo, já estou curada. Já consigo sorrir e ser cordial com todos, principalmente com meus agressores. Não tem uma frase mais ou menos assim, de que, quem é feliz é aquele que engana a si mesmo?”.

Ao terminar a leitura, Fátima se levantou, olhou predestinadamente para a porta sem atentar-se para o médico, abriu a mesma sem fechar, deixando os raios do sol de primavera adentrar com sua tonalidade lilás pela vidraça cristalina da antessala, enquanto o médico, preso a um caderno ou uma leitura em sua cadeira confortável, mexia rapidamente os óculos e dava um leve sorriso, com a cabeça inclinada para baixo, atento ao que via ou lia, até que pelo aparelho telefônico, falou para sua assistente: Quem é o próximo?                                                                                                             
 (LEO CANAÃ)                                                 

13 de fev. de 2020

Kiko Dinucci - Rastilho [2020]

Capa do CD


Fazia um tempão que eu tava a fim de fazer um disco dedicado ao violão.

Na infância, explorei como brinquedo. No começo da adolescência, com o violão remendado com tiras de durex, tentei nas mais variadas afinações reproduzir riffs de rock pesado. No fim da adolescência, nas rodas de samba onde alguém pedia um ré menor e saia cantando algo que eu nunca tinha tocado na vida, me forcei a encontrar cadências e intervalos no susto. O violão chegou primeiro e sempre me acompanhou.

Meu sonho era ser um violonista de choro, me amarrava nos bordões, mas, por conta de limitação técnica, comecei a procurar minha própria onda, um modo de continuar tocando. Apesar de gostar muito desta tradição do violão brasileiro, foi nos trabalhos afros do Baden Powell e nos violões de Dorival Caymmi, João Bosco, Jorge Ben, Rosinha de Valença e Gilberto Gil que pude vislumbrar uma maneira diferente de aplicar o instrumento ao formato canção.

Minha procura pelo violão sempre teve um caminho ligado à rítmica, principalmente na mão direita, que geralmente arpeja o instrumento ou faz os ataques. A ideia sempre foi tocar o violão como um instrumento de percussão. O que o violão do samba e do choro nos propõe, dividindo as cordas graves das cordas agudas, me ajudou muito em torno da visão mais polirrítmica.  Quase sempre, quando crio algo no violão, estão presentes as linhas de baixo e os contrapontos agudos.

A vivência na cena punk rock/hardcore paulista dos anos 90, no samba e nas atividades religiosas no Ilê Leuiwyato, dirigido pela sacerdotisa Iya Sandra Medeiros Epega, moldaram de alguma maneira esse violão que toco hoje, a música se procura também no chão que a gente percorre, nas pessoas, nas poeiras dos caminhos, não só no mundo artístico.

Rastilho é um disco de violão, nele o instrumento sobrepõe tudo, todas as vozes, todas as letras, quem canta é a madeira. (Por Kiko Dinucci)

São 10 canções fantásticas apenas com voz e violão!
Munição Sonora Já!

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3 de fev. de 2020

Solidão

Pintura: Lesley Oldaker

Desesperança das desesperanças...
Última e triste luz de uma alma em treva...
— A vida é um sonho vão que a vida leva
Cheio de dores tristemente mansas.

— É mais belo o fulgor do céu que neva
Que os esplendores fortes das bonanças
Mais humano é o desejo que nos ceva
Que as gargalhadas claras das crianças.

Eu sigo o meu caminho incompreendido
Sem crença e sem amor, como um perdido
Na certeza cruel que nada importa.

Às vezes vem cantando um passarinho
Mas passa. E eu vou seguindo o meu caminho
Na tristeza sem fim de uma alma morta.´

(Vinícius de Moraes, Solidão, Rio de Janeiro 1933)

11 de jan. de 2020

RUSH [7484]

Foto do CD: Joanna Malukiewicz - Canaã - MG

A postagem de hoje é em homenagem a banda RUSH e Neil Peart (um dos maiores bateristas de rock de todos os tempos que nos deixou no dia 07/01 vítima de câncer cerebral). A frente das baquetas e das letras da lendária banda, Neil deixou sua marca inigualável na música. O Rush, com certeza, está na nata do rock mundial, ao mesclar várias vertentes como hard rock, Rock Progressivo e a New Wave sem perder sua identidade e sem se acomodar como a maioria dos músicos consagrados fazem. 
Esta espetacular coletânea pessoal "7484" traz 19 músicas do melhor da banda entre os anos de 1974 a 1984, mostrando toda a criatividade e potência do power trio composto por Alex Lifeson (Guitarra), Geddy Lee (baixo e vocal), além de Neil.
Como curiosidade, Neil lançou um livro "A estrada da cura" que conta a sua saga ao sair de motocicleta no final dos anos 90 e andar mais de 90 mil quilômetros pela América do Norte e Central, após a perda de sua única filha e esposa no mesmo ano, como uma forma de preencher o vazio e procurar algum sentido na vida. Fenomenal!
Precisamos de mais músicos do que de soldados!
Munição Sonora Já!

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12 de dez. de 2019

Albert King by Kbsa

Arte do Álbum: Nacho Lopez

O termo "King" no Blues tem peso. Três grandes lendas do gênero utilizavam(B.B. King, Freddy King e Albert King). Albert King é a maior influência de Blues na minha vida, seguido por Muddy Waters, Buddy Guy, Howlin' Wolf, Eric Clapton e John Mayall. Albert foi considerado o 13º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista Rolling Stone, tendo influenciado milhares pelo mundo, sendo alguns famosos como Hendrix, Clapton e Steve Ray Vaughan (Só estes?). Albert se tornou conhecido quando em 1967 lançou seu lendário álbum "Born under a bad Sign", altamente recomendado.
Esta coletânea pessoal espetacular destaca 21 músicas entre os anos de 1966 a 1980, demonstrando o gigante lendário que Albert sempre será. 
Precisamos de mais músicos do que de soldados!
Munição Sonora Já!

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3 de dez. de 2019

Desespero da Piedade

Foto: Edu Leporo

Meu senhor, tende piedade dos que andam de bonde
E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos...
Mas tende piedade também dos que andam de automóvel
Quando enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.

Tende piedade das pequenas famílias suburbanas
E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingos
Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam
E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina.

Tende muita piedade do mocinho franzino, três cruzes, poeta
Que só tem de seu as costeletas e a namorada pequenina
Mas tende mais piedade ainda do impávido forte colosso do esporte
E que se encaminha lutando, remando, nadando para a morte.

Tende imensa piedade dos músicos dos cafés e casas de chá
Que são virtuoses da própria tristeza e solidão
Mas tende piedade também dos que buscam silêncio
E súbito se abate sobre eles uma ária da Tosca.

Não esqueçais também em vossa piedade os pobres que enriqueceram
E para quem o suicídio ainda é a mais doce solução
Mas tende realmente piedade dos ricos que empobreceram
E tornam-se heróicos e à santa pobreza dão um ar de grandeza.

Tende infinita piedade dos vendedores de passarinhos
Que em suas alminhas claras deixam a lágrima e a incompreensão
E tende piedade também, menor embora, dos vendedores de balcão
Que amam as freguesas e saem de noite, quem sabe onde vão...

Tende piedade dos barbeiros em geral, e dos cabeleireiros
Que se efeminam por profissão mas que são humildes nas suas carícias 
Mas tende mais piedade ainda dos que cortam o cabelo:
Que espera, que angústia, que indigno, meu Deus!

Tende piedade dos sapateiros e caixeiros de sapataria
Que lembram madalenas arrependidas pedindo piedade pelos sapatos
Mas lembrai-vos também dos que se calçam de novo
Nada pior que um sapato apertado, Senhor Deus.

Tende piedade dos homens úteis como os dentistas
Que sofrem de utilidade e vivem para fazer sofrer
Mas tende mais piedade dos veterinários e práticos de farmácia
Que muito eles gostariam de ser médicos, Senhor.

Tende piedade dos homens públicos e em particular dos políticos
Pela sua fala fácil, olhar brilhante e segurança dos gestos de mão
Mas tende mais piedade ainda dos seus criados, próximos e parentes
Fazei, Senhor, com que deles não saiam políticos também.

E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tende piedade das mulheres 
Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres
Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres
Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres!

Tende piedade da moça feia que serve na vida
De casa, comida e roupa lavada da moça bonita
Mas tende mais piedade ainda da moça bonita
Que o homem molesta - que o homem não presta, não presta, meu Deus!

Tende piedade das moças pequenas das ruas transversais
Que de apoio na vida só têm Santa Janela da Consolação
E sonham exaltadas nos quartos humildes
Os olhos perdidos e o seio na mão.

Tende piedade da mulher no primeiro coito
Onde se cria a primeira alegria da Criação
E onde se consuma a tragédia dos anjos
E onde a morte encontra a vida em desintegração.

Tende piedade da mulher no instante do parto
Onde ela é como a água explodindo em convulsão
Onde ela é como a terra vomitando cólera
Onde ela é como a lua parindo desilusão.

Tende piedade das mulheres chamadas desquitadas
Porque nelas se refaz misteriosamente a virgindade
Mas tende piedade também das mulheres casadas
Que se sacrificam e se simplificam a troco de nada.

Tende piedade, Senhor, das mulheres chamadas vagabundas
Que são desgraçadas e são exploradas e são infecundas
Mas que vendem barato muito instante de esquecimento
E em paga o homem mata com a navalha, com o fogo, com o veneno.

Tende piedade, Senhor, das primeiras namoradas
De corpo hermético e coração patético
Que saem à rua felizes mas que sempre entram desgraçada
Que se crêem vestidas mas que em verdade vivem nuas.

Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidade.

Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras
Que são crianças e são trágicas e são belas
Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam
E que têm a única emoção da vida nelas.

Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse
Ter piedade de si mesma e de sua louca mocidade
E outra, à simples emoção do amor piedoso
Delirava e se desfazia em gozos de amor de carne.

Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas
A vida fere mais fundo e mais fecundo
E o sexo está nelas, e o mundo está nelas
E a loucura reside nesse mundo.

Tende piedade, Senhor, das santas mulheres
Dos meninos velhos, dos homens humilhados - sede enfim
Piedoso com todos, que tudo merece piedade
E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim!

(VINÍCIUS DE MORAES)

27 de nov. de 2019

Nina Simone by Kbsa

Arte da Capa: João Pinheiro

Uma das maiores cantoras de todos os tempos, chega aqui para elevar o nível: Nina Simone! Pianista, cantora, compositora e ativista dos direitos civis e dos negros americanos. Nina deixou sua influencia na música com sua voz marcante, seus diversos estilos (Jazz, Blues, Pop, folk, música clássica, R&B, Funk e Soul) e a intensidade no palco e na vida. Em plena Guerra do Vietnã, ao se apresentar em um evento militar em 1971 nos EUA, Nina deu voz àqueles contrários ao conflito e deflagrou um momento icônico: cantou um poema em que Deus é considerado um assassino, após 18 minutos de "My Sweet Lord" de George Harrison. 
Esta coletânea pessoal perpassa pelo período mais produtivo da cantora, entre os anos de 1964 a 1980,e a cada faixa das 19 presentes na coletânea, um oceano musical diverso e intenso promove uma experiência profunda de ritmos e sons inigualáveis.
Precisamos de mais músicos do que de soldados!
Viva Nina Simone!
Munição Sonora Já!

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12 de nov. de 2019

Carta do Refugiado às Nações

Foto: Yannis Behrakis


Sou um ser e não uma coisa
Ainda que eu fosse uma coisa,                 
não seria a de sem valor!
Sou movido a deixar a minha terra
Aquela terra de origem pátria amada,
que um dia me viu nascer,
me viu crescer,
me viu sorrir,
Sorrir para a vida, 
– Vida, o grandioso presente de Deus para as nações!
Hoje…
estou aqui
amanhã acolá,
Sou um barco movido a vela
forçado pela força do vento, pra chegar ao destino!
Outra hora…
Sou uma andorinha,
movido pela estação a procura de melhores condições de vida!
E p’ra me moverem, 
São vocês que praticam as guerras
Fazendo prevalecer o ditado: 
NA LUTA DE 2 ELEFANTES, 
QUEM PAGA COM AS VIDAS, SÃO AS GRAMAS OU O CAPIM!
São nossas vidas jogadas ao nada,
Somos barrados nas fronteiras…
como se tivêssemos cometidos crimes!
Uns cometem, pagamos nós!
Matam-nos,
Hostilizam-nos, 
Mortos, jogam-nos como lixo feito nada
Tudo porque, um diz quem manda aqui sou eu,
E outro do outro lado responde, a terra é minha!
E tudo resulta em uma colisão, e quem morre sou eu!
OH CREDO, A TERRA É DE DEUS!!!
Hoje…
Venho aqui, porque não tenho terra!
Amanhã vou ali também não tenho terra!
Tudo é terra!
O Nativo diz:
Não tens aqui o direito,
Tu que me vens tirar o trabalho…
então sou submetido ao trabalho escravo, 
porque quero viver a vida!
Ó Céus!
Oh, credo!
Só quero viver a vida
Quero liberdade
Busco a justiça
Quero também pelo menos uma única oportunidade
Para que eu sobreviva e mitigue a minha sede!
Tenho fome, quero roupa, quero abrigo,
Só quero viver a vida!
Repito: NÃO TENHO TERRA, TUDO É TERRA!
Tenho uma vida
Que também merece ser vivida
Um presente de Deus eterno para todas as nações!
Sou um barco à vela
À busca de um destino
Por favor, me respeitem, só quero viver a vida!
(Moisés Antônio, Poeta Angolano)

5 de nov. de 2019

Só Ouvindo A Day In The Life

Pintura: Claude Monet - "O Nascer do Sol" 1872.

"Os passos errados, repetitivos
Inválidos sobre a brisa da madrugada
As lutas que viraram covas
E os dias que ficaram sombrios
Só ouvindo A Day In the Life*

Os amores deixados por coisas
Pedras preciosas dos desiludidos
As ideologias que viraram fronteiras
E os espinhos que se tornaram armaduras
Só ouvindo A Day in the Life
Só, ouvindo A Day in the Life"
(Leo Canãa)

* Beatles - última música do álbum "Sgt. Peppers..." de 1967.

31 de out. de 2019

Talking Heads by Kbsa


Capa do Album: Crhis Leib

Durante anos achei que o Talking Heads era uma banda de uma música só. "Psycho Killer" é um mega hit do rock. Mas, a banda liderada por David Byrne (viciado em música brasileira) é muito mais! Com um som inovador, mesclando o rock com o new wave e world music, a banda teve seus lançamentos autorais entre 1977 a 1991 e influenciou muitas bandas e artistas brasileiros nos anos 80. Esta coletânea tem 19 músicas do melhor do repertorio.
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18 de out. de 2019

Meu Amigo Poeta*

Pintura: Chagall - O Poeta, 1911.

Meu Amigo poeta
Um amigo-poeta da peste, do pólen e da pólvora.
Um poeta daqueles!
Poeta!
Poeta mermo!
Poeta e maluco
Poeta e amigo
Poeta e palhaço
Poeta e menino
Poeta e adorado
Poeta encantado, efusivo.
Poeta
Que sob a calúnia dos crentes velhos
Faz seu esplendor com a fé dos náufragos
Que sob as perguntas dos colegiais crédulos
Desfaz a trapaça do beijo e dos guias supérfluos e abestados
Poeta, poeta dos guetos e dos nadas
Poeta dos povos, dos pares, dos pobres, dos nobres atos.
Poeta dos terreiros, das florestas, dos pomares,
Mas também dos esgotos, da lama, do asfalto, das cidades.
POETA que nos faz voar nos penhascos mais altos
Dissecar as pequenas doses de amores diários
Sentir como insetos sob a carne, o estandarte.
 - Eis a vida meus caros! 
(Leo Canãa)

* Dedicado ao meu amigo e poeta César Félix.

15 de out. de 2019

Nick Cave & The Bad Seeds - Into My Arms [1984-1999]

Foto/Arte: Francesc Català-Roca

Nick Cave & The Bad Seeds é um dos maiores artistas contemporâneos do pós punk, com uma carreira iniciada em 1984 e ainda em pleno vigor. Nesta sensacional coletânea pessoal, tem-se 18 canções dos primeiros 15 anos de estrada. A música "Into My Arms", que dá nome ao álbum, vale a coletânea inteira mesmo que você não goste de nada mais. Nick Cave é um mergulho na própria condição de existência humana.
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7 de out. de 2019

Dr. John [XXI]

Foto da Capa: Jimmy Nelson

No dia 06 de Junho de 2019 faleceu aos 77 anos o espetacular cantor, compositor, pianista e guitarrista estadunidense Dr. John. Desde os anos 60 na ativa, John fez uma música marcante e caracterizada por uma combinação explosiva do blues, jazz, pop, boogie-woogie e rock and roll.
série "XXI" que valoriza os trabalhos mais recentes de artistas e bandas consagradas, prova a riqueza e a inspiração de Dr. John, com 18 sonzeiras no período de 2000-2016.
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27 de set. de 2019

Isso Também Vai Passar #2

Foto/capa do CD: Rita Fonseca

Um mergulho no vazio e na escuridão para submergir mais forte e resiliente. Verdade maior: tudo passa, tudo passará. Esta coletânea surgiu de um tempo tempestuoso, onde o silêncio e a reflexão se tornaram companheiros do acaso, amigos invioláveis do contínuo, conquistas de fortaleza. 
Nesta coletânea fantástica, estão presentes 19 músicas dos seguintes artistas e bandas: Stereophonics, Chris Cornell, Radiohead, Edward Sharpe e The Magnetics Zeros, Dirty Projectors, The National, John Mayer, Daniel Norgren, The Kills, The Tourist Company, Nick Cave, Bon Iver, Rufus Wainwright, Steven Wilson, Paul McCartney, Father John Misty, Daniel Martin Moore, Bruce Springsteen, Dr. John e Nicholas Payton.
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22 de set. de 2019

Congresso Internacional do Medo

Pintura: Edvart Munch
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas
(Carlos Drummond de Andrade)

10 de set. de 2019

Rubens da Selva - Existe um Cachorro Faminto na Minha Barriga Latindo para Você [2019]

Capa do álbum

Um dos lançamentos mais legais do ano é este trabalho de Rubens da Selva, músico integrante dos grupos "Mescalines" e "Mustache e os Apaches". São oito faixas fantásticas que "mostram Rubens apaixonado pelo Brasil e sua cultura, mesclando estéticas de diversas regiões do globo para retratar um país diverso e geograficamente latino" (André Felipe de Medeiros).
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