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10 de set. de 2019

Rubens da Selva - Existe um Cachorro Faminto na Minha Barriga Latindo para Você [2019]

Capa do álbum

Um dos lançamentos mais legais do ano é este trabalho de Rubens da Selva, músico integrante dos grupos "Mescalines" e "Mustache e os Apaches". São oito faixas fantásticas que "mostram Rubens apaixonado pelo Brasil e sua cultura, mesclando estéticas de diversas regiões do globo para retratar um país diverso e geograficamente latino" (André Felipe de Medeiros).
Precisamos de mais músicos do que de soldados!
Munição Sonora Já!

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27 de ago. de 2019

Gonzaguinha By Kbsa

Capa do CD: "Geral do Maracanã"- Arquivo Nacional

Gonzaguinha é um monstro! Na minha casa, faz parte da trilha sonora da vida. A carga emocional em suas músicas é fora de série e nos arrebata de forma lasciva, única e substancial. Se você quer uma coletânea definitiva ou já tem uma mesmo que dupla (dois Cds) como eu, chegou a hora de encostá-la como fiz. Modestamente falando, não há coletânea melhor do cara do que essa. Fiz à dedo, escolhendo as melhores, as  clássicas de repertório e aquelas sensacionais escondidas que não aparecem em CDs de coletânea (caso de "O que Importa, "Quebra Pau", "Caminhos do Coração", "Sangrando", "Galope" e "De Volta ao Começo). São 22 músicas do período de 1973 a 1989, ano do último trabalho do cantor, que morreu tragicamente aos 46 anos em um acidente de automóvel em 1991.
Precisamos de mais músicos do que de soldados!
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19 de ago. de 2019

The Raconteurs - Help Us Stranger [2019]

Capa do álbum "Help Us Stranger"

Aqui está uma das bandas mais poderosas da atualidade: The Raconteurs! Depois do hiato de 11 anos do segundo álbum de estúdio (o excelente "Consolers For The Lonely" de 2008) e 07 anos do ótimo "Live at Montreux", a banda capitaneada pelo Guitarrista Jack White (The White Stripes), acaba de lançar seu 4º trabalho e mais uma vez, só golaço! A banda mostra toda a sua força e criatividade, provando ser uma das melhores criações do rock pós 2000. A banda confirmou recentemente que vai fazer o primeiro show no Brasil em Novembro na cidade de São Paulo.
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12 de ago. de 2019

Stevie Ray Vaughan - In Step [1989]

Capa do Album "In Step"

Um furacão na década de 80! Assim foi a rápida e transformadora passagem de Stevie Ray Vaughan pelo mundo da música. O fenomenal guitarrista faleceu em um acidente de helicóptero no início dos anos 90, tendo lançado apenas 04 álbuns de estúdio entre 1984 a 1989. 
"In Step" é meu preferido do cara e um dos meus álbuns mais curtidos dos anos 80, com Stevie e a Double Trouble (banda que o acompanhou por toda a carreira) arrasando em 09 músicas sensacionais. Stevie foi responsável pelo renascimento do blues-rock, muito em baixa na década de 80, tendo, ainda em vida, conquistado o reconhecimento e o respeito de toda a nata do Blues e de diversos artistas (Eric Clapton, BB King, Jeff Beck, David Bowie, Buddy Guy, Albert King, além de vários outros). 
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1 de ago. de 2019

Elliott Smith - Either/Or [1997]

Capa do CD "Either/Or"

Elliott Smith, cantor e compositor indie folk americano, foi encontrado morto tragicamente em 2003, aos 34 anos, sob circunstâncias ainda não esclarecidas (com duas facadas no peito em seu apartamento). A hipótese de suicídio é considerada a mais provável, diante da depressão e do abuso de álcool e drogas que o artista passou por toda a sua vida. Foi por este período 2003/2004, que vim a conhecer este trabalho de Elliott, que faz referência direta ao filósofo existencial dinamarquês Soren Kierkegaard e que não é necessariamente sombrio quanto a estética musical.
Either/Or foi o álbum que o consagrou como uma estrela, síntese maior de seu som e estilo inimitável, uma mistura extraordinária de intimidade e explosão sentimental, que tornou Elliott um dos artistas mais respeitados e aclamados pela crítica no mundo todo. 
Na minha discografia pessoal, "Either Or" está no Top 50 de álbuns que mais gosto e é Top 10 dos melhores da década de 90 fácil. As letras, as melodias, a voz suave e o violão inconfundíveis de Elliott tocaram a mão do sublime com 12 músicas deste álbum fundamental.
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25 de jul. de 2019

IDEAIS

Foto: Ricardo Stuckert

" Os Ideais são como estrelas:
você pode não alcançá-las,
Mas pode ser guiado por elas"
(Carl Schurz)

22 de jul. de 2019

Nando Reis - Desculpe Estou Um Pouco Atrasado Mas Espero Que Ainda Dê Tempo De Dizer Que Andei Errado e Eu Entendo...

Capa do CD

A primeira vez que vi Nando Reis foi pela TV cantando "Marvin" no Programa do Chacrinha em 1986 com os Titãs. De lá pra cá muita coisa aconteceu. O cara saiu da banda e se tornou um dos maiores compositores e letristas contemporâneos da música popular brasileira, com suas músicas estouradas no país inteiro, principalmente na sua voz e de Cássia Eller, mas também por outros artistas como Skank, Jota Quest, Cidade Negra, Marisa Monte, dentre outros. 
Na minha vida pessoal, as músicas do Nando fazem parte mais ativamente desde 2006, com reatamento de meu namoro com a minha mulher atual, e ainda são ativamente ouvidas  por nós. Em especial, escolhi o nome desta coletânea em homenagem a música "Por Onde Andei" do qual o trecho foi retirado.
A Coletânea percorre o melhor em 20 anos de carreira solo do cantor e compositor com 22 músicas no período de 1994 a 2016, ano do primeiro e último lançamento autoral. Dos trabalhos lançados no período, destaco três: A Letra A (2003), MTV ao Vivo (2004) e Sim & Não (2006).
Munição Sonora Já!!

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13 de jul. de 2019

MOTÖRHEAD [XXI]

Capa do CD: Kevin Frayer- Parque Industrial China

Comemorando o dia do rock hoje, 13 de Julho, está aí a minha banda favorita de heavy metal, o Motörhead! 
Desde a primeira vez que ouvi e vi a banda do baixista e cantor Ian "Lemmy" Kilmister, uma das figuras mais icônicas e lendárias do rock'n roll, morto em 2015, tive uma completa ampliação de conceitos. Quando jovem, se me perguntassem que músico ou artista queria ser, estaria entre John Lennon, Pete Townshend, Raul Seixas ou Lemmy.  Sempre achei o som do Motörhead diferente das demais bandas do gênero, por incorporar mais claramente vertentes do punk rock, classic rock e hardrock. Como a própria lenda dizia: "a nossa música é rock'n roll".
A banda teve vida de 1975 a 2015. A série "XXI" que valoriza os trabalhos mais recentes de artistas e bandas consagradas, prova a riqueza e a força de uma das grandes bandas da história, com 18 porradas e baladas célebres no período de 2000-2015.
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8 de jul. de 2019

Caetano Veloso & Gilberto Gil - Dois Amigos, Um Século de Música [2015]

Capa do CD

Dois gênios da música popular brasileira comemorando 50 anos de carreira de cada um, com este CD fantástico ao vivo com mais de 20 grandes sucessos da dupla. Com esta turnê, eles fizeram shows no Brasil e no mundo todo, terminando no final de 2016 com disco de platina. Este é um trabalho memorável e histórico, emotivo e cativante.
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1 de jul. de 2019

Rocks de Munição #5

Capa do CD 

Depois de ouvir as porradas do Rocks de Munição #3 e #4, no Rocks de Munição #5 você tem um CD para ouvir no carro, fazendo uma viagem numa boa, de preferência com a mulher dirigindo, uma caixa térmica cheia de cerveja gelada curtindo a paisagem com 20 rocks sensacionais de 14 artistas e bandas da atualidade. São eles: Jackie White, Anders Osborne, White Denim, Heartless Bastards, Spin Doctors, Pete Molinari, Beck, Ray Lamontagne, Brendan Benson, The Red Goes Black, Double Plow, The Rides, The Tedeschi Trucks Band e Davon Allman. 
Rocks of Road!!!
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28 de jun. de 2019

A Terceira Perna

Pintura: Clarice Lispector - O Pássaro da Liberdade, [1975].

"... Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E Voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas, a ausência inútil da terceira me faz falta e assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.
    Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia - a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la -, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma ideia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver. A ideia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora? Estarei mais livre?
      Não. Sei que ainda não estou sentindo livremente, que de novo penso porque tenho por objetivo achar - e que por segurança chamarei de achar o momento em que encontrar um meio de saída. Porque não tenho coragem de apenas achar um meio de entrada? Oh, sei que entrei, sim. Mas assustei-me porque não sei para onde dá essa entrada. E nunca antes eu me havia deixado levar, a menos que soubesse para o quê."

(Clarice Lispector - " A Paixão Segundo G.H." página 1 e 2)

24 de jun. de 2019

Angel Sucheras - New Orleans Spirits [2018]

Capa do álbum "New Orleans Spirits"

O reconhecido maestro, crooner e pianista argentino Angel Sucheras, radicado há tempos na Europa, lança um espetacular trabalho calcado no Jazz com uma bandaça de apoio destruindo em 10 faixas desconcertantes sem ficar cansativo e maçante. 
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18 de jun. de 2019

Vítor Ramil - Foi No Mês Que Vem [2013]

Capa do CD

Compilação de 17 músicas do ótimo álbum duplo de Vítor Ramil lançado em 2013 "Foi no Mês que Vem". A proposta do cara em fazer uma síntese da carreira entre 1981-2013 com uma roupagem nova para suas músicas só poderia dar em mais uma competente empreitada deste baita artista. O trabalho conta ainda com várias participações especiais: Milton Nascimento, Jorge Drexler, Santiago Vasquez, Carlos Moscardini, Marcos Suzano, Ian Ramil, Kleiton e Kledir, Fito Paez, Ney Matogrosso e Orquestra de Câmara do Teatro São Pedro.
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14 de jun. de 2019

Os Ombros Suportam o Mundo

Pintura: Diego Rivera

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
tempo de absoluta depuração.
tempo em que não se diz mais: meu amor
porque o amor resultou inútil.
e os olhos não choram.
e as mãos tecem apenas o rude trabalho.
e o coração está seco.

Em vão mulheres batem á porta, não abrirás.
ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
és todo certeza, já não sabes sofrer.
e nada espera de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
e ela não pesa mais que a mão de uma criança.
as guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
chegou um tempo que não adianta morrer.
chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
a vida apenas, sem mistificação.

(Carlos Drummond de Andrade ''Os Ombros Suportam o Mundo'' do Livro "Sentimento do Mundo")

8 de jun. de 2019

R.E.M by Kbsa

Capa do CD - Leo Canãa

Você pode nada conhecer do R.E.M, mas, com certeza, já escutou pelo menos três sucessos  sem saber: Quem nunca ouviu "Losing my religion", "Everybody hurts" e "Man on the Moon"? A coletânea R.E.M by Kbsa chega com 21 músicas de uma das maiores bandas do rock alternativo americano entre o período de 1983-2011, início e fim desta bandaça. 
Munição Sonora já!!!

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2 de jun. de 2019

CD da CABEÇA

Capa do CD

Chegando com a segunda coletânea pessoal da série "Capas de CDs", com o CD da Cabeça. Se o "CD da Boca" disponibilizado aqui anteriormente, tem uma pegada MPB, este CD tem 19 músicas de artistas e bandas com o melhor do pop/rock nacional atual. São eles: A Banda Mais Bonita da Cidade, Cérebro Eletrônico, Duda Brack, Bruno Souto, Rafa Barreto, Nuda, Variantes, Letuce, Androide Sem Par, Carne Doce, Dillo, Devise, Pública e Volver. 
Munição Sonora Já!!!

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29 de mai. de 2019

Clube da Esquina [1972]

Capa do CD

Se tivesse que escolher apenas um CD para levar comigo para plutão, este trabalho estaria concorrendo fortemente para este fim. Juntamente com a Tropicália, o Clube da Esquina é considerado como o movimento musical brasileiro que alcançou maior ressonância internacional no período pós bossa nova. O Clube era na verdade um fino coletivo de artistas mineiros, capitaneados por Milton Nascimento e Lô Borges que sacudiu (e ainda sacode) a música nacional. Este álbum de 1972 é poderoso do início ao fim, fundamentando-se em uma sinergia de rock'n roll, bossa nova, jazz, rock progressivo, influências de música caipira e clássica tornando-o, sem dúvida nenhuma, uma das maiores criações artísticas em terras tupiniquins. O Clube teve uma reunião novamente em 1978, o altamente recomendado álbum duplo "Clube da Esquina 2".
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20 de mai. de 2019

O que significa Bolsonaro no poder


POR JESSÉ SOUZA*10/05/2019
Bolsonaro e sua penetração na banda podre das classes populares foi útil para vencer o PT, mas é tão grotesco, asqueroso e primitivo que governar com ele é literalmente impossível.

A eleição de Jair Bolsonaro foi um protesto da população brasileira. Um protesto financiado e produzido pela elite colonizada e sua imprensa venal, mas, ainda assim, um "protesto". Uma sociedade empobrecida – cheia de desempregados, de miseráveis e violência endêmica, cujas causas, segundo a elite e a grande imprensa que a mantém, é apenas a "corrupção política" – elege o mais nefasto político que os 500 anos de história brasileira já produziu. Segundo a imprensa comprada, a corrupção é, inclusive, culpa do PT e de Lula manipulando a informação e criando uma guerra entre os pobres. Sem compreender o que acontece, a sociedade como um todo é manipulada e passa a agir contra seus melhores interesses.

A única classe social que entra no jogo sabendo o que quer é a elite de proprietários. Para a elite, o que conta é a captura do orçamento público via "dívida pública" e juros extorsivos, e ter o Estado como seu "banco particular" para encher o próprio bolso. A reforma da previdência é apenas a última máscara desta compulsão à repetição. Mas as outras classes sociais, manipuladas pela elite e sua imprensa, também participaram do esquema, sempre "contra" seus melhores interesses.

A classe média real entrou em peso no jogo, como sempre, contra os pobres para mantê-los servis, humilhados e sem chances de concorrer aos privilégios educacionais de que desfruta. Os pobres entraram no jogo parcialmente, o que se revelou decisivo do ponto de vista eleitoral, pela manipulação de sua fragilidade e pela sua divisão proposital entre pobres decentes e pobres "delinquentes". Esses dois fatores juntos, a guerra social contra os pobres e entre os pobres, elegeram Bolsonaro e sua claque.

Foi um protesto contra o progresso material e moral da sociedade brasileira desde 1988 e que foi aprofundado a partir de 2002. Estava em curso um processo de aprendizado coletivo raro na história da sociedade brasileira. Como ninguém em sã consciência pode ser contra o progresso material e moral de todos, o pretexto construído, para produzir o atraso e mascará-lo como avanço, foi o pretexto, já velho de cem anos, da suposta luta contra a corrupção. Sérgio Moro incorporou esta farsa canalha como ninguém.

A "corrupção política", como tenho defendido em todas as oportunidades, é a única legitimação da elite brasileira para manipular a sociedade e tornar o Estado seu banco particular. A captura do Estado pelos proprietários, obviamente, é a verdadeira corrupção que, inclusive, a "esquerda" até hoje, ainda sem contradiscurso e sem narrativa própria, parece não ter compreendido.

Agora, eleição ganha e Bolsonaro no poder, começam as brigas intestinas entre interesses muito contraditórios que haviam se unido conjunturalmente na guerra contra os pobres e seus representantes. Bolsonaro é um representante típico da baixa classe média raivosa, cuja face militarizada é a milícia, que teme a proletarização e, portanto, constrói distinções morais contra os pobres tornados "delinquentes" (supostos bandidos, prostitutas, homossexuais, etc.) e seus representantes, os "comunistas", para legitimar seu ódio e fabricar uma distância segura em relação a eles.

Toda a sexualidade reprimida e todo o ressentimento de classe sem expressão racional cabem nesse vaso. O seu anticomunismo radical e seu anti-intelectualismo significam a sua ambivalente identificação com o opressor, um mecanismo de defesa e uma fantasia que o livra de ser assimilado à classe dos oprimidos. Olavo de Carvalho é o profeta que deu um sentido e uma orientação a essa turma de desvalidos de espírito.

É claro que Bolsonaro é um mero fantoche ocasional das elites brasileira e americana. Quando ele volta de mãos vazias dos Estados Unidos, depois de dar sem qualquer contrapartida o que os americanos nem sequer tinham pedido, a única explicação é que ele estava lá como sujeito privado e não como presidente de um país. Como sujeito privado, é bem possível que ele estivesse pagando, com dinheiro e recursos públicos, os gastos de campanha até hoje secretos e sem explicação. Mas é óbvio que sua campanha foi feita e muito provavelmente financiada pelos mesmos que fizeram e bancaram a campanha de Trump.

O seu discurso de ódio era o único remédio contra a volta do PT ao poder. E como a elite e sua imprensa querem o saque do povo, e para isso se aliam até ao diabo, ou pior, até a Bolsonaro, sua escolha teve este sentido. O ódio, por sua vez, é produzido pela revolta de quem não entende por que fica mais pobre e a única explicação oferecida pela imprensa venal é o eterno "bode expiatório" da corrupção política. Mas a corrupção política era a forma, até então, como se manipulava a falsa moralidade da classe média real. Como se chega com esse discurso manipulador também nas classes baixas? O voto da elite e da classe média no Brasil não ganha eleição nenhuma. Este é um país de pobres.

A questão interessante passa a ser como e por que setores das classes populares passaram a seguir Bolsonaro e permitiram sua eleição. Para quem Bolsonaro fala quando diz suas maluquices e suas agressões grosseiras? Ele fala, antes de tudo, para a baixa classe média iletrada dos setores mais conservadores do público evangélico. Este público que ganha entre dois e cinco salários mínimos é um pobre remediado que odeia o mais pobre e idealiza o rico. O anticomunismo, por exemplo, tem o efeito de irmanar este pobre remediado com o rico, já que é uma oportunidade de se solidarizar com o inimigo de classe que o explora e não com seu vizinho mais pobre com quem não quer ter nada em comum. Isso o faz pensar que ele, em alguma medida, também é rico – ou em vias de ser –, já que pensa como ele.

O anti-intelectualismo também está em casa na baixa classe média. Isso é importante quando queremos saber a quem Bolsonaro fala quando ataca, por exemplo, as universidades e o conhecimento. A relação da baixa classe média com o conhecimento é ambivalente: ela inveja e odeia o conhecimento que não possui, daí o ódio aos intelectuais, à universidade, à sociologia ou à filosofia. Este é o público verdadeiramente cativo de Bolsonaro e sua pregação. É onde ele está em casa, é de onde ele também vem. Obviamente esta classe é indefesa contra a mentira institucionalizada da elite e de sua imprensa. Ela é vítima tanto do ódio de classe contra ela própria, que cria uma raiva que não se compreende de onde vem, e da manipulação de seu medo de se proletarizar. Quando essas duas coisas se juntam, o pobre remediado passa a ser mais pró-rico que o Dória.

A escolha de Sérgio Moro foi uma ponte para cima com a classe média tradicional que também odeia os pobres, inveja os ricos e se imagina moralmente perfeita porque se escandaliza com a corrupção seletiva dos tolos. Mas, apesar de socialmente conservadora, ela não se identifica com a moralidade rígida nos costumes dos bolsonaristas de raiz, que estão mais perto dos pobres. Paulo Guedes, por sua vez, é o lacaio dos ricos que fica com o quinhão destinado a todos aqueles que sujam as mãos de sangue para aumentar a riqueza dos já poderosos.

Os primeiros meses de Bolsonaro mostram que a convivência desses aliados de ocasião não é fácil. A elite não quer o barulho e a baixaria de Bolsonaro e sua claque, que só prejudicam os negócios. Também a classe média tradicional se envergonha crescentemente do "capitão pateta". Ao mesmo tempo, sem barulho nem baixaria Bolsonaro não existe. Bolsonaro "é" a baixaria. Sérgio Moro, tão tolo, superficial e narcísico como a classe que representa, é queimado em fogo brando, já que o Estado policial que almeja, para matar pobres e controlar seletivamente a política, em favor dos interesses corporativos do aparelho jurídico-policial do Estado, não interessa de verdade nem à elite nem a seus políticos. Sem a mídia a blindá-lo, Sérgio Moro é um fantoche patético em busca de uma voz.

O resumo da ópera mostra a dificuldade de se dominar uma sociedade marginalizando, ainda que em graus variáveis, cerca de 80% dela. Bolsonaro e sua penetração na banda podre das classes populares foi útil para vencer o PT, mas é tão grotesco, asqueroso e primitivo que governar com ele é literalmente impossível. A idiotice dele e de sua claque no governo é literal no sentido da patologia que o termo define. Eles vivem em um mundo à parte, comandado pelo anti-intelectualismo militante, o qual não envolve apenas uma percepção distorcida do mundo. O idiota é também levado a agir segundo pulsões e afetos que não respeitam o controle da realidade externa. Um idiota de verdade no comando da nação é um preço muito alto até para uma elite e uma classe média sem compromisso com a população nem com a sociedade como um todo. Esse é o dilema do idiota Jair Bolsonaro no poder.
*Jessé Souza é sociólogo, professor universitário, pesquisador e escritor brasileiro. Autor de os best-sellers "A Elite do Atraso" e "A Classe Média no Espelho".

Roy Orbison [60]

Capa do CD - Roy Orbison [60]

Quem nunca ouviu "Oh, Pretty Woman" não é deste planeta! Mesmo que você não saiba de quem é a música, sabe que ela existe. Uma das canções mais influentes dos anos 60 e do cinema internacional ("Uma linda Mulher" com Julia Roberts) é de Roy Kelton Orbison, o "The BIG O" como era conhecido. Roy foi um cantor e compositor estadunidense dos mais influentes de sua geração, pioneiro do rock'n roll e influenciador de um monte de artistas dos anos 60 e 70 em todo o mundo.  No Brasil, a Jovem guarda, por exemplo, se embebedou de Orbison, assim como artistas do porte de Raul Seixas e Mutantes.
Quase no fim da vida, em 1988, Roy ainda participou de um encontro histórico e icônico com Bob Dylan, Tom Petty, George Harrison e Jeff Lyne (o "Traveling Wilburys"), mas morreu antes de sair o trabalho gravado pelo supergrupo, além de um trabalho próprio "Mistery Girl" que foi considerado um dos melhores discos da carreira e dos anos 80.
Esta coletânea pessoal abrange 14 sucessos dos anos 60.
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11 de mai. de 2019

Os Cebollitas

Pintura em um prédio de Nápoles (ITA) em homenagem a "Dom Diego"

Foi em 1973. Jogavam as equipes infantis de Argentinos Juniors e River Plate, em Buenos Aires. 
O número 10 do Argentinos recebeu a bola de seu goleiro, evitou o beque central do River e começou a corrida. Vários jogadores foram ao seu encontro: passou a bola por fora de um deles, entre as pernas do outro, e enganou mais um de calcanhar. Depois, sem parar, deixou paralisados os zagueiros e botou o goleiro caído no chão, e se meteu caminhando com a bola na meta rival. No campo tinham ficado 7 meninos fritos e quatro que não conseguiam fechar a boca. 
Aquela equipe de garotinhos, Os Cebollitas, estava invicta há cem partidas e tinha chamado a atenção dos jornalistas. Um dos jogadores, Veneno, que tinha treze anos, declarou:

" _ Jogamos para nos divertir. Nunca vamos por dinheiro. Quando entra dinheiro, todos se matam para ser estrelas, e então chega a hora da inveja e do egoísmo".

Falou abraçado ao jogador mais querido de todos, que também era o mais alegre e o mais baixinho: Diego Armando Maradona, que tinha doze anos e acabava de fazer aquele gol incrível.
Maradona tinha o costume de pôr a língua para fora quando estava em pleno impulso. Todos os seus gols tinham sido feitos com a língua de fora. De noite dormia abraçado com a bola e de dia fazia prodígios com ela. Vivia numa casa pobre de um bairro pobre e queria ser técnico industrial.

(Eduardo Galeano - "Futebol ao Sol e à Sombra" Página 137)

6 de mai. de 2019

IRON & WINE by Kbsa

Capa do CD: Eugene Michel

O Iron & Wine é uma baita banda de folk-rock dos anos 2000 de um cara que chama Sam Beam. Além da voz do cara ser muito legal, as músicas do Iron & Wine são bem arranjadas, grudando nas primeiras ouvidas. Esta coletânea pessoal abrange o período de 2002 a 2019 com 20 canções desta bandaça.
Munição Sonora Já!!

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1 de mai. de 2019

Acerto de Contas com Paulo Vanzolini - Volume Especial [2003]

Ilustração: Kino

Com o lançamento do songbook Acerto de Contas com Paulo Vanzolini –que contempla 4 CDs e 52 canções de seu repertório–, a gravadora Biscoito Fino nos presenteou com uma obra referencial.  Os intérpretes que participam do tributo foram escolhidos pelo próprio compositor: Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Martinho da Vila, Eduardo Gudin, Inezita Barroso, Virgínia Rosa, Paulinho Nogueira, Márcia, Trovadores Urbanos. Da família Buarque de Hollanda participam todos os cantores: Chico Buarque, Cristina, Miúcha, Piií, Ana de Hollanda. O time dos músicos que tocam nas faixas é composto por "cobras" da madrugada paulistana, músicos acostumados a passar noites em claro ao redor de uma mesa de bar no bairro do Bixiga, do Brás ou da Barrafunda. Vanzolini fez questão de levar para o estúdio seus amigos de boemia: João Macacão, Zé Barbeiro, Izaías do Bandolim, Luizinho 7 Cordas, Ítalo Perón, entre outros. O resultado é verdadeiro, informal e emotivo, deixando o coração da gente escancarado durante a audição (Bruno Ribeiro). 
Vanzolini, além de compositor, foi referencial zoólogo e um dos fundadores da FAPESP , referência em pesquisa científica no Brasil. Morreu em 2013.
Este CD com 19 músicas é uma compilação das melhores do Songbook.
Munição sonora já!
Precisamos de mais músicos do que soldados!

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18 de abr. de 2019

Coladera [2014]

Capa do CD - Coladera [2014]

Espetacular projeto musical, o Coladera é a reunião de 03 músicos sensacionais, sendo dois brasileiros (o violinista Vitor Santana e o grande percussionista Marcos Suzano), além de João Pires, músico de Cabo Verde, antiga colônia portuguesa na África. O estilo do projeto foi chamado à época do lançamento de "Lusofonia" ao misturar as tradições musicais de Portugal, Brasil e Cabo Verde, trazendo uma fantástica musicalidade em 10 pérolas autorais.
Precisamos de mais músicos do que de soldados!
Munição Sonora Já!

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17 de abr. de 2019

O Homem em Sociedade

Pintura - George Grosz (1926)

" Não é raro encontrarmos cópias de homens importantes; e, como no caso das pinturas, a maioria das pessoas preferem as cópias aos originais"

" A melhor maneira de ajudar pessoas muitas embaraçadas, de tranquiliza-las, consiste em elogiá-las firmemente"

" Os médicos mais perigosos são os que, atores natos, imitam o médico nato com o perfeito dom de iludir"

" Consideramos ofensas as cortesias de pessoas que não amamos"

" Pessoas que nos dão toda a sua confiança acreditam, com isso, ter direito à nossa. É um erro de raciocínio; dádivas não conferem direitos"

" Quem não sabe pôr no gelo seus pensamentos não deve se entregar ao calor da discussão"

" Os familiares de um suicida não lhe perdoam não ter ficado vivo em consideração ao nome da família"

"Poucos são aqueles que, estando embaraçados por falta de temas para a conversa, não revelam os assuntos secretos dos amigos"

" Dar razão ou não ao outro numa conversa, é puramente questão de hábito: as duas coisas fazem sentido"

" Ninguém agradece ao homem de espírito sua cortesia, quando ele se adapta a um grupo de pessoas no qual não é cortês mostrar espírito"

"Em várias pessoas, o dom de ter bons amigos é muito maior que o dom de ser um bom amigo"

(Friedrich NIETZSCHE - " O homem em sociedade - Trecho do Livro Humano Demasiado Humano")

11 de abr. de 2019

Bem Bluesão Bão #2

Capa do CD "Bem Bluesão Bão II"

Chegando a segunda coletânea do projeto Bem Bluesão Bão, que busca trazer artistas e bandas contemporâneas cantando e tocando blues. São 18 blues com a presença de Buddy Guy, Lucinda Williams, Giles Robson, Ben Harper & Charles Musselwhite, The Rolling Stones, Ben Green, Inna Forsman, Shemekia Copeland e Muddy Waters 100, The Blind Boys Of Alabama, Keith Richards, Leanne Faine e Muddy Waters 100, Gary Clark Jr., Lurrie Bell, Don Bryant e Maria McKee.
Munição sonora Já!!!!

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4 de abr. de 2019

The Black Crowes by Kbsa

Capa do CD - Victo Ngai

Baita banda de rock, The Black Crowes é completamente desconhecido em terras tupiniquins. Esta coletânea pessoal visa mostrar como a banda dos irmãos Chris e Rich Robinson é fudida de boa. No CD há 20 petardos do período 1990/2009 - último trabalho oficial. Mesmo pegando emprestado todo o revival dos anos 70, o Black Crowes conseguiu imprimir um som próprio e marcante. Os irmãos estão brigados, quem sabe um dia a banda volta a tocar... 
Munição Sonora Já!!!!

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