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21 de ago. de 2018

Neil Young [70]

Capa do Disco "70"

Neil Young é um dos artistas mais relevantes para o Rock'n Roll em toda sua história. Esta coletânea especial "70" inclui 17 músicas do melhor que o cara fez nos anos 70. Só música boa!
Munição Sonora!!!

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20 de ago. de 2018

Phillip Long - Manifesto [2017]



Capa do Álbum


Phillip Long é um artista a ser conhecido.Traz um primoroso folk/rock tupiniquim dos bons. Ele canta em inglês e em português. "Manifesto" cai no segundo caso e é um dos discos mais emblemáticos quanto a expressar o sentimento coletivo da nação neste momento da história. Munição Sonora!!!

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CD MANIFESTO - PHILLIP LONG

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18 de jun. de 2018

Copa 2018: “Pessimistas de todo o Brasil, Uni-vos!”

Por Luciana Santos - deputada federal por PE e presidente nacional do PCdoB
É de surpreender que o “país do futebol” esteja mergulhado em tamanha apatia.
Na Copa, que junto com o Carnaval e o São João é um dos períodos de maior festa e celebração da inata alegria dos brasileiros, nos vemos imersos numa epidemia de desânimo.
Ao contrário de anos anteriores, não se vê massivamente nas ruas o tradicional verde e amarelo, ancorado em bandeirinhas, pinturas, fitilhos.
Pior, não se vê no rosto da nossa gente o sorriso esperançoso, a ansiedade da torcida, a fé na conquista de mais um campeonato.
Observando esse panorama lembrei-me de uma carta de Henfil de 1980.
“O atual sistema, para governar, nos fez pessimistas. E pessimista não dorme, não faz amor, não faz partidos, não incomoda, não reclama, não briga. Que diabo de país é este?”*
Creio que se aplica, não?
Apesar da conjuntura pós-golpe e do Governo Temer que está tentando nos massacrar: retirando direitos, desrespeitando a constituição, se desfazendo do nosso patrimônio a preço de banana e, com isso, minando uma das maiores conquistas do povo brasileiro dos últimos anos: a nossa autoestima; não devemos confundir com a afirmação da brasilidade que esses momentos representam.
A esperança é o que nos mantém mobilizados na construção de um país melhor.
Por isso mesmo não podemos abrir mão desse traço tão rico da nossa identidade enquanto Nação: a alegria!
Ora, se a negação da política não muda a política — é a participação que produz a transformação — não seria a negação do que nos faz uno enquanto povo que seria capaz de superar as condições de divergência e de bipolaridades.
Ninguém deve nos convencer de que não torcer é o caminho para superar a crise.
Parafraseando Henfil, diria que o futebol é do povo, assim como a greve é do trabalhador.
O futebol é maior que o desgoverno atual, que as diferenças com a seleção ou suas estruturas.
O futebol é de meninos e meninas das cidades deste país, é meu, é seu, é nosso.
Gritemos GOL! Gritemos Golpe!
Vamos mudar esse estado de coisas, com o nosso jeito, com alegria e com verde e amarelo, que é a cor dos que amam o Brasil e dos que lutam por ele.
De mais ninguém!
*Frase de Henfil em carta à sua mãe

29 de mai. de 2018

BEM BLUESÃO BÃO I


Capa do CD


Estarei disponibilizando a minha coletânea de Blues "Bem Bluesão Bão" passando o melhor do Blues clássico e do contemporâneo. Para começar destruindo, passarei a primeira coletânea (Volume I), trazendo blues lançados recentemente por mestres e novatos do segmento.
Na encruzilhada do Blues!!!
Munição Sonora!!!!



ARTISTAS/FAIXAS

1. John Mayall
2. Elvin Bishop
3. Tiny Legs Tim
4. Buddy Guy
5. Eric Clapton
6. Left Lane Cruiser
7. Eric Bibb
8. Sean Rowe
9. Elvin Bishop
10. Tiny Legs Tim
11. Ben Green
12. Bob Dylan
13. Cream
14.Jeff Beck
15. Seasick Steve
16. Phillip Long
17. John Mayall
18. Eric Clapton




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O ÁLBUM: DINGO BELLS - Memórias da Vida Moderna [2015]


CAPA DO ÁLBUM


Baita pedida nacional!!! O trabalho "Memórias da Vida Moderna" da banda Dingo Bells é um dos discos nacionais mais bacanas dos últimos anos. Músicas como "Mistério dos 30", " Anéis de Saturno", "Olhos Fechados pro Azar" e "Todo Nó"  arregaçam  e não saem da cabeça.
Munição Sonora!!!



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4 de mai. de 2018

O ÁLBUM: Rodrigo Campos - São Mateus Não é um Lugar Assim Tão Longe [2009]

Disponibilizo o CD de estréia de Rodrigo Campos, "São Mateus Não é Um Lugar Assim Tão Longe" de 2009. Este CD é muito bom!!! Música Brasileira Lado A. 
Munição Sonora!!!


Capa do CD Original



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19 de abr. de 2018

BLACK SABBATH by KBSA

Se você é como fui um dia: Sempre teve preguiça do Black Sabbath, nunca teve a paciência necessária de aguentar a voz de Ozzy Osbourne, acreditava nas palavras de sua mãe que o som da banda é literalmente o som do capeta, que estaria amaldiçoado e coisa do tipo....chegou a sua reconciliação: Black Sabbath by KBSA!!!!!
Sinceramente, quem sofre deste preconceito deve-se livrar de imediato e agora. O Black Sabbath é uma bandaça. O power trio comandado pelo guitarrista Tommy Iommi é muito bom. E, escutando com cuidado, verás que Ozzy tem seus méritos (principalmente no palco). Esta coletânea reúne 13 petardos, considerando principalmente a primeira fase da banda de 1969 a 1979. Desde já, sugiro para os interessados, o clássico albúm Paranoid (1971).
No entanto, na humilde opinião, os melhores álbuns do Black Sabbath são sem o Ozzy. Em 1980, Ozzy deixou a banda e quando tudo parecia ruir, eis que surge Ronnie James Dio. Puta que pariu!!!! Com Dio nos vocais e parecendo sair de uma máquina revitalizadora, o Black Sabbath se reinventou e lançou dois discos monumentais: O Heaven and Hell (1980) e o Mob Rules (1981). Recomendadíssimos e que não estão nesta coletânea!!!! Olha que, até bem pouco tempo atrás, passava longe da discografia do Black.
Munição Sonora!!!


* CAPA DO "BLACK SABBATH BY KBSA"



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DEEP PURPLE by KBSA

Aqui vai outro petardo de uma banda histórica: Deep Purple. Não é uma das bandas favoritas, mas não tem como admirar o som dos caras. Esta coletânea by KBSA com 18 músicas, tem foco na fase mais criativa - fase de 1969 até 1975. A banda teve diversas formações durante a sua existência, mas sempre com baitas músicos. John Lord é para mim um gênio, tecladista da banda.
Para quem quiser se adentrar no solo explosivo do Deep Purple, deve ouvir o estupendo Machine Head (1972) e o Live in Japan (1972).
Munição Sonora!!!!


*CAPA do "DEEP PURPLE BY KBSA"



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LED by KBSA

Disponibilizo coletânea pessoal (by KBSA) de uma das maiores bandas do rock de todos os tempos: o Led Zeppelin. O primeiro contato que tive, foi por volta dos 12 a 14 anos, quando um amigo meu "marrão" me presenteou com um disco que ele tinha ganhado de um amigo: o Led Zeppelin III. Nunca vou esquecer a sensação de frio na espinha que tive quando ouvi "Imigrant Song" deste disco.Tenho o CD até hoje. Bom, o LED está no Top 4 das minhas bandas favoritas. Sugiro, para quem ainda não adentrou no vôo mágico do Led, os albuns (I, II, III, IV, Houses of the Holy e Phisical Grafitti). São simplesmente sensacionais. Nesta coletânea, são 16 músicas fabulosas.
Munição Sonora!!!!!



* CAPA "LED ZEPPELIN BY KBSA"


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17 de abr. de 2018

O ÁLBUM: Zé Geraldo Acústico [1996]

No Post "O Álbum" vou disponibilizar discos e trabalhos de bandas e artistas diversos que fazem a munição ficar ainda mais explosiva.
No primeiro post, vai o CD de um cara que curto muito e faz a minha KBSA até hoje.
Grande Zé Geraldo!!!! Lembro das músicas do Zé desde pequeno no bar do meu pai, quando os amigos e frequentadores tocavam violão até altas madrugadas. Este disco é muito bom. A sonoridade acústica com a participação do duo de instrumentistas brasileiros "Duofel" na base de violões arregaçou com o disco.
" Eu nasci lá em Rodeiro, no pé da serra da Onça, lá nas gerais
e muito cedo caí na estrada..."
*Capa do Disco
**Os nomes das músicas só baixando...




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Sambas de Munição #1

Chegando agora a coletânea Sambas de Munição Volume 1!!!
Mistura de mestres do samba com nova geração de artistas. Modestamente, ficou do caralho!!!
Munição Sonora!!!


* Capa do CD - Sambas de Munição #1

ARTISTAS/FAIXAS

1. João Nogueira e Paulo César Pinheiro
2. Luiz Melodia
3. Zeca Pagodinho
4. Ligiana
5. Aline Calixto
6. Mariana Aydar
7. Rodrigo Maranhão
8. Moacyr Luz
9. Carlinhos Brow
10. Quinteto em Branco e Preto
11. Marisa Monte
12. Zé Renato e Renato Braz
13. Jards Macalé
14. Luiz Melodia
15. Mônica Salmaso
16. Seu Jorge
17.Rodrigo Campos
18. Criolo
19. Zé Manoel
20. Djavan
21. João Donato e Zeca Pagodinho
22. Moacyr Luz


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29 de mar. de 2018

THE WHO by KBSA


Coletânea pessoal com 21 músicas de uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos. Está no Top 2 das minhas bandas favoritas. Na discografia do Who, os álbuns Tommy (1969), Live at Leeds (1970), Whos Next (1971) e Quadrophenia (1973) são espetaculares.
Depois desta coletânea, até a minha mulher passou a gostar do WHO.
MUNIÇÃO SONORA!!!

Capa do CD

* Os nomes das músicas estão na pasta ao baixar




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22 de mar. de 2018

ROCKS DE MUNIÇÃO #2


Segundo Volume da Compilação "Rocks de Munição". 
MUNIÇÃO SONORA!!!!

Capa: Rocks de Munição #2

FAIXAS/ARTISTAS
    
1. Death Hawks
2. Supergrass
3. Jeff Bridges
4. Willy Mason
5. She & Him
6. The Lumineers
7. My Morning Jacket
8. Johnny Cash
9. B. Dylan
10. Rich Robinson
11. Fleet Foxes
12. The Coral
13. Edward Sharpe & The Magnetic Zeros
14. W. Mason
15. R. Robinson
16. The Black Crowes
17. Patti Smith
18. Cat Power
19. Fiona Apple




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19 de mar. de 2018

ROCKS DE MUNIÇÃO #1

Após muitos anos planejando, foi dado início hoje aqui no Blog a disponibilização de discos/álbuns e coletâneas (a maioria criadas por mim) de artistas e bandas nacionais e internacionais. 
Nesta Postagem 1, vou disponibilizar a Coletânea  ROCKS DE MUNIÇÃO#1.
MUNIÇÃO SONORA!!!!!!!



CAPA: ROCKS DE MUNIÇÃO #1


FAIXAS/ARTISTAS:

1. Bustillo Cowboy 2. Death Cheating Tuna Cowboys 3. John Mayer 4. Ben Harper 5. Wilco 6. The Racounters 7. Robbie Robterson 8. Chris Robinson 9. The First Corintians 10. The Black Crowes 11. Iron e Wine 12. Daniel Norgren 13. Death Cheating Tuna Cowboys 14. The Racounters 15. The Coral 16. The First Corintians 17. Daniel Norgren 18. Daniel Martin  Moore



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24 de jul. de 2017

Casos de Corrida



Uma bando de pessoas formando fileiras antes do nascer do sol para serem atendidas no hospital local  com suas dores de nenhum corte ou suas dores de mil mortes, preocupações irracionais e fiscais com colchões de dormir e barracas, apreensivas pelo amanhã, cobertas com mantas finas da idade e despertas pelo medo de ficarem sós ou de morrerem logo, dos nós de garganta, a solidão em pleno sábado pós carnaval. 
O zunido e os miados de gatinhos abandonados em um matagal próximo ao ponto do ônibus, desesperados e esperançosos de que algum ser humano maravilhoso ou uma gatinha qualquer viesse encontrá-los, que pudessem salva-los das cobras que se achegam. A minha mulher encontrou-os. Trouxe-os para casa, mas, como é a vida: Nossos cachorros o mataram. Os nossos!
A briga dos valentões no trânsito, causando lentidão e preocupação das pacientes e compreensivas mulheres, que juntas, tentavam conter o clima de tensão no local e evitar uma briga de fracos homens cheios de músculos. A exigência da entrega total das armas e a rendição no banco do carro feito pelas duas as crianças de cada casal, que pediam para que os pais parassem e que só elas (e talvez a mãe) são capazes de tal milagre. Todo trânsito deveria ter uma mãe de guarda!
Uma mulher idosa caminha todo dia em frente a Praça Fontes em busca de que um homem faça aquilo que nenhum outro foi capaz nesta vida: Uma noite de amor com carinho. (Pensa como seria mais fácil se houvesse em gôndolas). Após adentrar no recinto do supermercado acaba comprando uma garrafa de rum e diz sozinha que este sim é de verdade.
A filha que cuidadosamente ajuda a mãe a caminhar como se estivesse levando e atravessando seu próprio coração, não entende como o pai foi capaz de deixa-las, abandoná-las, roubar a empresa e fugir com a amante.  - Melhor teria sido ele morrer, pensava a filha. A mãe, atormentada e inerte a falta de explicações, pensa: Será que ele volta para mim?
O homem anda com seu cachorro pela orla da praia, com seus dentes irremediavelmente brancos, óculos esportistas, tênis e vestimentas de corredor profissional e seu amigo da raça Labrador de cor caramelo a desfilar pela cidade maravilhosa e dar ao seu ego o mais bel prazer, de ver as primeiras mulheres levantarem os olhos, fixar seus sentidos, virar o rosto com charme, subir seus vestidos curtos ou alongados e entoar o mais profundo gozo e prazer adocicado: Que labrador bonito!


(Lelo Nardoiz)

22 de jun. de 2016

O Macaco Bubbles

Clipe da Música "Bubbles Burst" do The Claypool Lennon Delirium.
Curiosidade: A música conta a estória do macaco Bubbles que era de Michael Jackson nos anos 80, quando o então pequeno Sean Lennon, filho de John Lennon e Yoko Ono, fez uma visita na mansão de Jackson à época.

7 de jun. de 2016

12 de mai. de 2016

Daydreaming

Vídeo da Canção "Daydreaming" novo álbum do Radiohead
" A Moon Shaped Pool" de 2016.
Tradução da Letra abaixo.


"Sonhando Acordado"

Sonhadores
Eles nunca aprendem
Eles nunca aprendem
Além do ponto
Do não retorno
Do não retorno
É tarde demais
O estrago está feito
O estrago está feito

Isso vai
Além de mim
Além de você
O quarto branco
Por uma janela
Por onde o sol passa
Nós estamos
Apenas feliz de servir
Apenas feliz de servir... Você
O que acontece agora?
O que acontece agora?
O que acontece agora?

10 de mai. de 2016

Pela Trilha dos Trigueiros


Quadro " O Campo de Trigo com Corvos" de Van Gogh


Todo o domínio da solidão de um quarto
Todo o domínio da solidão
O domínio e a solidão
O quarto é maior que o mundo
E eu sou um Deus quadrado
Um corpo em enquadro na solidão
Na multidão

Todo o desconforto de ver um novo morto
Um velho morto, um velho novo
O desconforto, o morto
O quarto e a solidão
O quanto é a vida sem nós
E porque estou aqui sozinho
Na multidão

O que impacta é que tudo bem

O domínio, a solidão, a multidão, o quarto e um morto.
(L.C)

1 de abr. de 2016

Locus

“a intensidade do ato
ao próprio ato
a intensidade do amor
ao próprio amor
a possibilidade do encontro
na intensidade do momento
a intensidade do instante
tecendo a realidade do futuro"
(L.C)


Comunicado: Novo Planeta Azul para Homens com Poder de Opinião


Homens brancos do Sul-Sudeste do Brasil, do norte-nordeste do mundo, acima de 35 anos, ensino superior, classe alta e média alta, heterossexuais, tementes a Deus, que acham que a função do Estado é zelar pela livre iniciativa, os bons costumes e para manter a violência longe. E acreditam no mercado acima de tudo¹; se preparem, vem chegando uma grande oportunidade de viver ainda melhor do que na terra: Condomínio Novo Planeta Azul!
Seja habitante de Marte e faça do planeta vermelho uma realidade de seus sonhos mais sinceros. Além do mais, senhores, a terra já era! Com uma viagem de graça, é isso mesmo, D-E  G-R-A-Ç-A; você leva  todos os seus acompanhantes. Além disso, dá para depositar os bens e o valor de todas as coisas da terra lá! (Sistema financeiro de Marte converte os valores terráqueos). Tudo que você ama em um local sem roubo, sem casamento gay, sem gente pedindo migalhas, com shoppings e mesquistas a colorir um vôo de balão como se estivéssemos, respectivamente, em Miami e Myanmar.
Nada como a sutileza da inteligência e a doce mecânica de nossos olhos.
Filie-se ao Projeto "Terra Nunca Mais" ou acesse # conterraneidade. Venha tomar um champagne no espaço!. (L.C)

¹ Até o ponto citado, texto de Leonardo Sakamoto " Sua Opinião não vale". Blog do Sakamato. 01/04/016.





26 de out. de 2015

Se Eu Quiser Falar com Deus


Era jovem quando ouvi e vi Gilberto Gil dando uma entrevista no Programa Sem Censura falando sobre Deus e espiritualidade. Esta entrevista foi marcante.(L.C)

21 de out. de 2015

O Cara do Blues


A postagem hoje é em homenagem a Celso Blues Boy que nos deixou em 2013. Celso, na minha opinião, é o "cara do Blues" no Brasil. Esse vídeo é do mítico e histórico show de BB King no Rio de Janeiro em 1986. Em um dos raríssimos momentos em sua vida, o Rei do Blues passou a sua "Lucille" para Celso tocar no show. Fantástico!
BB King ainda participou do disco "Indiana Blues"  de Celso no ano de 1996, na faixa de destaque "Mississipi".

2 de out. de 2015

Malabares da Imprevisibilidade


Até quando vou andar a jogar malabares pelo mundo?
Pelas ruas deste miúdo pequeno que chamamos de mundo
Será que sempre estarei a vagar livre ou desorientado até os cumes e os lustres do mundo?
Será que esta minha vida é de alegria ou de insanidade, de ilusão plangente
Tangenciando a arte ou a mentira?
Vivendo de esmolas ou de espúrias
de simples memórias, pessoas e viagens
Ou quem sabe apenas de uma nota, um cigarro, um sorriso no sinal
O sorriso das pessoas (e principalmente das crianças)
Será que andarei de cabeça erguida até a morte
Ou no próximo sinal, depois de mais um número de malabares, um cem número de não dos motoristas
Saia do mundo de cabeça baixa, buscando apenas uma casa ou uma cachaça
Um carinho no cabelo, a busca por uma mulher sincera, um endereço e adereço
Será que diante de tantas voltas, possa dar várias voltas neste mundo
E ainda parar aqui, neste farol, entre as avenidas da orla principal, no farol das encruzilhadas
Com o malabares da imprevisibilidade.
(L.C)

21 de jul. de 2015

O Império do Consumo

Captura de Tela 2015-04-13 às 14.22.49
Publicado na Envolverde, reproduzido na Carta Capital.


A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina no écran do televisor. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas para que outro mundo vamos mudar-nos?
A explosão do consumo no mundo atual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco: quem bebe por conta, emborracha-se o dobro. O carrossel aturde e confunde o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo soa muito, tal como o tambor, porque está vazia. E na hora da verdade, quando o estrépito cessa e acaba a festa, o borracho acorda, só, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos partidos que deve pagar.
A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam o ar, e ao mesmo tempo necessitam que andem pelo chão, como acontece, os preços das matérias-primas e da força humana de trabalho.
O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar.
Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA têm apenas cinco por cento da população mundial.
“Gente infeliz os que vivem a comparar-se”, lamenta uma mulher no bairro do Buceo, em Montevideo. A dor de já não ser, que outrora cantou o tango, abriu passagem à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. “Quando não tens nada, pensas que não vales nada”, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, de Buenos Aires. E outro comprova, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: “Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e vivem suando em bicas para pagar as prestações”.
Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde a quantidade com a qualidade, confunde a gordura com a boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a “obesidade severa” aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou uns 40% nos últimos 16 anos, segundo a investigação recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado.
O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar só sai do automóvel para trabalhar e para ver televisão. Sentado perante o pequeno écran, passa quatro horas diárias a devorar comida de plástico.
Triunfa o lixo disfarçado de comida: esta indústria está a conquistar os paladares do mundo e a deixar em farrapos as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que veem de longe, têm, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade, são um patrimônio coletivo que de algum modo está nos fogões de todos e não só na mesa dos ricos.
Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão a ser espezinhadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida à escala mundial, obra da McDonald’s, Burger King e outras fábricas, viola com êxito o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.
O campeonato mundial de futebol de 98 confirmou-nos, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola brinda eterna juventude e o menu do MacDonald’s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército de McDonald’s dispara hambúrgueres às bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O arco duplo desse M serviu de estandarte durante a recente conquista dos países do Leste da Europa. As filas diante do McDonald’s de Moscou, inaugurado em 1990 com fanfarras, simbolizaram a vitória do ocidente com tanta eloquência quanto o desmoronamento do Muro de Berlim.
Um sinal dos tempos: esta empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. A McDonald’s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama a Macfamília, tentaram sindicalizar-se num restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas em 1998, outros empregados da McDonald’s, numa pequena cidade próxima a Vancouver, alcançaram essa conquista, digna do Livro Guinness.
As massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a publicidade conseguiu o que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite. No último quarto de século, os gastos em publicidade duplicaram no mundo. Graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai-se tornando tempo de consumo obrigatório.
Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisor e o televisor tem a palavra. Comprado a prazo, esse animalejo prova a vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos inteiram-se das vantajosas taxas de juros que este ou aquele banco oferece.
Os peritos sabem converter as mercadorias em conjuntos mágicos contra a solidão. As coisas têm atributos humanos: acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o automóvel é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.
As angústias enchem-se atulhando-se de coisas, ou sonhando fazê-lo. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas te escolhem e te salvam do anonimato multitudinário.
A publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz. Isso é o que menos importa. A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias.
Em quem o senhor quer converter-se comprando esta loção de fazer a barba? O criminólogo Anthony Platt observou que os delitos da rua não são apenas fruto da pobreza extrema. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social do êxito, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Sempre ouvi dizer que o dinheiro não produz a felicidade, mas qualquer espectador pobre de TV tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro produz algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.
Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX pôs fim a sete mil anos de vida humana centrada na agricultura desde que apareceram as primeiras culturas, em fins do paleolítico. A população mundial urbaniza-se, os camponeses fazem-se cidadãos.
Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação, e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em toda parte, mas por experiência sabem que atende nas grandes urbes.
As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os que esperam veem passar a vida e morrem a bocejar; nas cidades, a vida ocorre, e chama. Apinhados em tugúrios [casebres], a primeira coisa que descobrem os recém chegados é que o trabalho falta e os braços sobram.
Enquanto nascia o século XIV, frei Giordano da Rivalto pronunciou em Florença um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam “porque as pessoas têm o gosto de juntar-se”. Juntar-se, encontrar-se. Agora, quem se encontra com quem? Encontra-se a esperança com a realidade? O desejo encontra-se com o mundo? E as pessoas encontram-se com as pessoas? Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente se encontra com as coisas?
O mundo inteiro tende a converter-se num grande écran de televisão, onde as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. As estações de ônibus e de comboios, que até há pouco eram espaços de encontro entre pessoas, estão agora a converter-se em espaços de exibição comercial.
O shopping center, ou shopping mall, vitrine de todas as vitrines, impõe a sua presença avassaladora. As multidões acorrem, em peregrinação, a este templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que os seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora submete-se ao bombardeio da oferta incessante e extenuante.
A multidão, que sobe e baixa pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago, e para ver e ouvir não é preciso pagar bilhete. Os turistas vindos das povoações do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas bênçãos da felicidade moderna, posam para a foto, junto às marcas internacionais mais famosas, como antes posavam junto à estátua do grande homem na praça.
Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam ao centro. O tradicional passeio do fim de semana no centro da cidade tende a ser substituído pela excursão a estes centros urbanos. Lavados, passados e penteados, vestidos com as suas melhores roupas, os visitantes vêm a uma festa onde não são convidados, mas podem ser observadores. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.
A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz.
Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.
O dinheiro voa à velocidade da luz: ontem estava ali, hoje está aqui, amanhã, quem sabe, e todo trabalhador é um desempregado em potencial. Paradoxalmente, os shopping centers, reinos do fugaz, oferecem com o máximo êxito a ilusão da segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, para além das turbulências da perigosa realidade do mundo.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota como esgotam, pouco depois de nascer, as imagens que dispara a metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas a que outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar no conto de que Deus vendeu o planeta a umas quantas empresas, porque estando de mau humor decidiu privatizar o universo?
A sociedade de consumo é uma armadilha caça-bobos. Os que têm a alavanca simulam ignorá-lo, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta.
A injustiça social não é um erro a corrigir, nem um defeito a superar: é uma necessidade essencial. Não há natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.
Eduardo Galeano

16 de jun. de 2015

Long Live Pete


Pete Townshend


"...Os Sentimentos ruins que você tem hoje o estão ajudando a se tornar forte, talentoso e sensível à dor que as outras pessoas sentem...mas você tem um bom coração e no final ficará bem...
Respeite a si mesmo. Tente se lembrar de que nem tudo na vida pode ser perfeito. Você cometerá enganos. Isso é Inevitável. Aproveite a vida. E tome cuidado com o que desejar - lembre-se, você pode conseguir." (Pete Townshend - a Autobiografia).



Massacre


Ontem mataram 13
Outro dia foram 4
Antes de ontem foram 2
Acharam os corpos no mato
Reconheceram o Vieirinha e o Otávio
Mês passado, foi o Tevez do Quadrilátero
Se nasce como homem
Morre-se como RATO


Hoje foram 7
Amanhã serão mais 2 encontrados
Jovens com cara de 37
Foram jogados do alto
Queimaram o Cesinha e o Mago
Massacre retrasado, mandaram um dedo para o delegado
Nasce como homem
Morre-se como RATO


Notícia do Jornal "Bombardian":

- 02 crianças com menos de 01 ano de idade foram mortas pelo pai com 02 tiros na cabeça enquanto estavam nas cadeirinhas do automóvel...o bebê imóvel, a inocência morta como um rato...
 (L.C)



29 de mai. de 2015

O Único Destino de um Homem





....Biúca, ao ver a sua filha adentrar pela sala depois de tantos e tantos anos, tenta a todo custo esconder as lágrimas, o choque, a primeira palidez; não apenas pela saudade, mas por culpa,  pena,  frustração e  miséria. Viu a filha entrar como uma velha, apagada, triste, magra, doente, como se estivesse a caminhar por muito tempo, como o filho de Elias. Ao vê-la, a mãe abraça-a sentindo as suas lágrimas, com todo o cuidado para que o abraço forte não quebrasse os ossos e matasse a menina ali mesmo, em seus braços, por amor, por saudade, fraqueza. Dizia, abalada, palavras misturadas e confusas a que se remetia a perdão e a felicidade de te-la ali, a sua pequena, depois de penosos e preocupados invernos. O pai, sem saber o que fazer ou dizer, só olhava a filha e mãe abraçada; surgia-lhe um pensamento de que, as duas, pareciam irmãs. Olhava e pensava que iria explodir como uma panela de pressão esquecida pelo cozinheiro do tempo. Via os olhos verdes baixos, envoltos por olheiras profundas, logo eles, que eram a coisa mais brilhante e enverdejante que conheceu. As pernas arranhadas, murchas, as unhas quebradas e sujas. O chinelo branco, escuro, amarrado com tiras de plástico e de farrapo. O cabelo, os seios, o coração. Já não havia nada daquela filha que conheceu, que saiu de casa  num dia assim, que um dia disse a ele que Deus era tão generoso por dar a ela esta casa, esta família e esta vida. Lembrou-se de quando era pequena e o acompanhava na colheita do feijão e na procissão de São Sebastião na cidade. Também que a amaldiçoou para todo o sempre e que jurou a alguma santa de devoção de sua mãe de que nunca mais abriria a porta de sua casa para aquela criatura.  Neste momento, sentiu a própria cruz de Jesus e teve vontade de cair a seus pés e chorar e chorar, pedir perdão por tudo o que fez e que fará tudo de melhor para ela agora e sempre. Olha a filha. Sente o cair da tarde como o cair de um penhasco. Agora é tarde. Vê que a filha já não consegue andar,caminhar ou gesticular normalmente. Não teve dúvidas: Ela retornou para casa. 

- Minha filha, você está em sua casa. Aqui você está bem. Não diga nada, não precisa. Cada um busca a sua felicidade. Isso, deite na cama. Descanse um pouco, tome água. Se restabeleça minha filha. 

O embargo da voz. Já era incapaz de dizer algo. A filha também . O pai  ao ver a filha deitada sobre o trapiche, lembrava do que dizia o Velho Otacílio da venda.  
- João, o único destino do homem é começar e acabar¹ e ponto. 
A filha estava de volta em casa. Para sempre. Sempre é quando. Quando é agora. Agora é tarde. (L.C)

¹ Citando SARAMAGO

27 de mai. de 2015

Águias de Origem







Um certo gozo dos anjos
Com nome de Augusto dos homens
Despindo a Terra como os soldados
Que ávidos cortam a cabeça das dúvidas
Se o fato expressivo, absoluto, nos trazem dívidas
e pior, escondem a certeza dos vermes e a mão do imaginário
Como ficam as perguntas, os beijos, as rosas, o escarro
Este homem, que conquistou a flor e o demônio
A mão direita do céu e dos plutônios
O parto da alma e o ferrão da linguagem
...pudera ser o medo uma miragem
e os pés, águias de origem (L.C)


Preparação das Ofertas


Pintura de Francisco Rizi, 1600 e alguma coisa...


Na noite que iria ser jogado aos cães
olhou para trás, deu um sorriso
e sem um pingo de compaixão
viu que estava perdido
Olhou para seus réus e pensou na coerção
Na física e nas metas, nos filhos e conhecidos
Percebeu o chão da prisão


Na noite anterior,lembrou:
"A arrogância é a máscara mais banal da covardia"¹
Depois de um injusto não
Deu graças por viver, lembrou de seu pai tabelião
Um passo para frente e o abismo
Havia próximo o perigo, o desconhecido, desprovido
Percebeu que estava próximo então

Elegeram os navegantes para não sujar as mãos dos governantes
Como se o mundo fosse melhor por fazer homens morrer
Por seus sonhos matar, por sua honra ofender
Por suas mãos lavar (L.C)

¹EPITECTO