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21 de jul. de 2015

O Império do Consumo

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Publicado na Envolverde, reproduzido na Carta Capital.


A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina no écran do televisor. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas para que outro mundo vamos mudar-nos?
A explosão do consumo no mundo atual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco: quem bebe por conta, emborracha-se o dobro. O carrossel aturde e confunde o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo soa muito, tal como o tambor, porque está vazia. E na hora da verdade, quando o estrépito cessa e acaba a festa, o borracho acorda, só, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos partidos que deve pagar.
A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam o ar, e ao mesmo tempo necessitam que andem pelo chão, como acontece, os preços das matérias-primas e da força humana de trabalho.
O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar.
Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA têm apenas cinco por cento da população mundial.
“Gente infeliz os que vivem a comparar-se”, lamenta uma mulher no bairro do Buceo, em Montevideo. A dor de já não ser, que outrora cantou o tango, abriu passagem à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. “Quando não tens nada, pensas que não vales nada”, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, de Buenos Aires. E outro comprova, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: “Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e vivem suando em bicas para pagar as prestações”.
Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde a quantidade com a qualidade, confunde a gordura com a boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a “obesidade severa” aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou uns 40% nos últimos 16 anos, segundo a investigação recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado.
O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar só sai do automóvel para trabalhar e para ver televisão. Sentado perante o pequeno écran, passa quatro horas diárias a devorar comida de plástico.
Triunfa o lixo disfarçado de comida: esta indústria está a conquistar os paladares do mundo e a deixar em farrapos as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que veem de longe, têm, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade, são um patrimônio coletivo que de algum modo está nos fogões de todos e não só na mesa dos ricos.
Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão a ser espezinhadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida à escala mundial, obra da McDonald’s, Burger King e outras fábricas, viola com êxito o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.
O campeonato mundial de futebol de 98 confirmou-nos, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola brinda eterna juventude e o menu do MacDonald’s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército de McDonald’s dispara hambúrgueres às bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O arco duplo desse M serviu de estandarte durante a recente conquista dos países do Leste da Europa. As filas diante do McDonald’s de Moscou, inaugurado em 1990 com fanfarras, simbolizaram a vitória do ocidente com tanta eloquência quanto o desmoronamento do Muro de Berlim.
Um sinal dos tempos: esta empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. A McDonald’s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama a Macfamília, tentaram sindicalizar-se num restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas em 1998, outros empregados da McDonald’s, numa pequena cidade próxima a Vancouver, alcançaram essa conquista, digna do Livro Guinness.
As massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a publicidade conseguiu o que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite. No último quarto de século, os gastos em publicidade duplicaram no mundo. Graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai-se tornando tempo de consumo obrigatório.
Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisor e o televisor tem a palavra. Comprado a prazo, esse animalejo prova a vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos inteiram-se das vantajosas taxas de juros que este ou aquele banco oferece.
Os peritos sabem converter as mercadorias em conjuntos mágicos contra a solidão. As coisas têm atributos humanos: acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o automóvel é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.
As angústias enchem-se atulhando-se de coisas, ou sonhando fazê-lo. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas te escolhem e te salvam do anonimato multitudinário.
A publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz. Isso é o que menos importa. A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias.
Em quem o senhor quer converter-se comprando esta loção de fazer a barba? O criminólogo Anthony Platt observou que os delitos da rua não são apenas fruto da pobreza extrema. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social do êxito, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Sempre ouvi dizer que o dinheiro não produz a felicidade, mas qualquer espectador pobre de TV tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro produz algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.
Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX pôs fim a sete mil anos de vida humana centrada na agricultura desde que apareceram as primeiras culturas, em fins do paleolítico. A população mundial urbaniza-se, os camponeses fazem-se cidadãos.
Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação, e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em toda parte, mas por experiência sabem que atende nas grandes urbes.
As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os que esperam veem passar a vida e morrem a bocejar; nas cidades, a vida ocorre, e chama. Apinhados em tugúrios [casebres], a primeira coisa que descobrem os recém chegados é que o trabalho falta e os braços sobram.
Enquanto nascia o século XIV, frei Giordano da Rivalto pronunciou em Florença um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam “porque as pessoas têm o gosto de juntar-se”. Juntar-se, encontrar-se. Agora, quem se encontra com quem? Encontra-se a esperança com a realidade? O desejo encontra-se com o mundo? E as pessoas encontram-se com as pessoas? Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente se encontra com as coisas?
O mundo inteiro tende a converter-se num grande écran de televisão, onde as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. As estações de ônibus e de comboios, que até há pouco eram espaços de encontro entre pessoas, estão agora a converter-se em espaços de exibição comercial.
O shopping center, ou shopping mall, vitrine de todas as vitrines, impõe a sua presença avassaladora. As multidões acorrem, em peregrinação, a este templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que os seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora submete-se ao bombardeio da oferta incessante e extenuante.
A multidão, que sobe e baixa pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago, e para ver e ouvir não é preciso pagar bilhete. Os turistas vindos das povoações do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas bênçãos da felicidade moderna, posam para a foto, junto às marcas internacionais mais famosas, como antes posavam junto à estátua do grande homem na praça.
Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam ao centro. O tradicional passeio do fim de semana no centro da cidade tende a ser substituído pela excursão a estes centros urbanos. Lavados, passados e penteados, vestidos com as suas melhores roupas, os visitantes vêm a uma festa onde não são convidados, mas podem ser observadores. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.
A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz.
Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.
O dinheiro voa à velocidade da luz: ontem estava ali, hoje está aqui, amanhã, quem sabe, e todo trabalhador é um desempregado em potencial. Paradoxalmente, os shopping centers, reinos do fugaz, oferecem com o máximo êxito a ilusão da segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, para além das turbulências da perigosa realidade do mundo.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota como esgotam, pouco depois de nascer, as imagens que dispara a metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas a que outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar no conto de que Deus vendeu o planeta a umas quantas empresas, porque estando de mau humor decidiu privatizar o universo?
A sociedade de consumo é uma armadilha caça-bobos. Os que têm a alavanca simulam ignorá-lo, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta.
A injustiça social não é um erro a corrigir, nem um defeito a superar: é uma necessidade essencial. Não há natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.
Eduardo Galeano

16 de jun. de 2015

Long Live Pete


Pete Townshend


"...Os Sentimentos ruins que você tem hoje o estão ajudando a se tornar forte, talentoso e sensível à dor que as outras pessoas sentem...mas você tem um bom coração e no final ficará bem...
Respeite a si mesmo. Tente se lembrar de que nem tudo na vida pode ser perfeito. Você cometerá enganos. Isso é Inevitável. Aproveite a vida. E tome cuidado com o que desejar - lembre-se, você pode conseguir." (Pete Townshend - a Autobiografia).



Massacre


Ontem mataram 13
Outro dia foram 4
Antes de ontem foram 2
Acharam os corpos no mato
Reconheceram o Vieirinha e o Otávio
Mês passado, foi o Tevez do Quadrilátero
Se nasce como homem
Morre-se como RATO


Hoje foram 7
Amanhã serão mais 2 encontrados
Jovens com cara de 37
Foram jogados do alto
Queimaram o Cesinha e o Mago
Massacre retrasado, mandaram um dedo para o delegado
Nasce como homem
Morre-se como RATO


Notícia do Jornal "Bombardian":

- 02 crianças com menos de 01 ano de idade foram mortas pelo pai com 02 tiros na cabeça enquanto estavam nas cadeirinhas do automóvel...o bebê imóvel, a inocência morta como um rato...
 (L.C)



29 de mai. de 2015

O Único Destino de um Homem





....Biúca, ao ver a sua filha adentrar pela sala depois de tantos e tantos anos, tenta a todo custo esconder as lágrimas, o choque, a primeira palidez; não apenas pela saudade, mas por culpa,  pena,  frustração e  miséria. Viu a filha entrar como uma velha, apagada, triste, magra, doente, como se estivesse a caminhar por muito tempo, como o filho de Elias. Ao vê-la, a mãe abraça-a sentindo as suas lágrimas, com todo o cuidado para que o abraço forte não quebrasse os ossos e matasse a menina ali mesmo, em seus braços, por amor, por saudade, fraqueza. Dizia, abalada, palavras misturadas e confusas a que se remetia a perdão e a felicidade de te-la ali, a sua pequena, depois de penosos e preocupados invernos. O pai, sem saber o que fazer ou dizer, só olhava a filha e mãe abraçada; surgia-lhe um pensamento de que, as duas, pareciam irmãs. Olhava e pensava que iria explodir como uma panela de pressão esquecida pelo cozinheiro do tempo. Via os olhos verdes baixos, envoltos por olheiras profundas, logo eles, que eram a coisa mais brilhante e enverdejante que conheceu. As pernas arranhadas, murchas, as unhas quebradas e sujas. O chinelo branco, escuro, amarrado com tiras de plástico e de farrapo. O cabelo, os seios, o coração. Já não havia nada daquela filha que conheceu, que saiu de casa  num dia assim, que um dia disse a ele que Deus era tão generoso por dar a ela esta casa, esta família e esta vida. Lembrou-se de quando era pequena e o acompanhava na colheita do feijão e na procissão de São Sebastião na cidade. Também que a amaldiçoou para todo o sempre e que jurou a alguma santa de devoção de sua mãe de que nunca mais abriria a porta de sua casa para aquela criatura.  Neste momento, sentiu a própria cruz de Jesus e teve vontade de cair a seus pés e chorar e chorar, pedir perdão por tudo o que fez e que fará tudo de melhor para ela agora e sempre. Olha a filha. Sente o cair da tarde como o cair de um penhasco. Agora é tarde. Vê que a filha já não consegue andar,caminhar ou gesticular normalmente. Não teve dúvidas: Ela retornou para casa. 

- Minha filha, você está em sua casa. Aqui você está bem. Não diga nada, não precisa. Cada um busca a sua felicidade. Isso, deite na cama. Descanse um pouco, tome água. Se restabeleça minha filha. 

O embargo da voz. Já era incapaz de dizer algo. A filha também . O pai  ao ver a filha deitada sobre o trapiche, lembrava do que dizia o Velho Otacílio da venda.  
- João, o único destino do homem é começar e acabar¹ e ponto. 
A filha estava de volta em casa. Para sempre. Sempre é quando. Quando é agora. Agora é tarde. (L.C)

¹ Citando SARAMAGO

27 de mai. de 2015

Águias de Origem







Um certo gozo dos anjos
Com nome de Augusto dos homens
Despindo a Terra como os soldados
Que ávidos cortam a cabeça das dúvidas
Se o fato expressivo, absoluto, nos trazem dívidas
e pior, escondem a certeza dos vermes e a mão do imaginário
Como ficam as perguntas, os beijos, as rosas, o escarro
Este homem, que conquistou a flor e o demônio
A mão direita do céu e dos plutônios
O parto da alma e o ferrão da linguagem
...pudera ser o medo uma miragem
e os pés, águias de origem (L.C)


Preparação das Ofertas


Pintura de Francisco Rizi, 1600 e alguma coisa...


Na noite que iria ser jogado aos cães
olhou para trás, deu um sorriso
e sem um pingo de compaixão
viu que estava perdido
Olhou para seus réus e pensou na coerção
Na física e nas metas, nos filhos e conhecidos
Percebeu o chão da prisão


Na noite anterior,lembrou:
"A arrogância é a máscara mais banal da covardia"¹
Depois de um injusto não
Deu graças por viver, lembrou de seu pai tabelião
Um passo para frente e o abismo
Havia próximo o perigo, o desconhecido, desprovido
Percebeu que estava próximo então

Elegeram os navegantes para não sujar as mãos dos governantes
Como se o mundo fosse melhor por fazer homens morrer
Por seus sonhos matar, por sua honra ofender
Por suas mãos lavar (L.C)

¹EPITECTO

27 de jan. de 2014

Os Sons que os Homens não Ouvem (Final)





" O PRIMEIRO SOM É DA VIDA
  O SEGUNDO SOM É DA FOME
  O ÚLTIMO SOM É DA MORTE"
   caixa de som - LC

Os Sons que os Homens não Ouvem (parte 8)



Os Sons que os Homens Não Ouvem Mais

 

 

“...tudo que é vida faz o seu som...mas nem sempre de onde há som tem vida”

 

 

“Se não enxergam como vão sentir?

Se conquistam como podem deixar?”

 

 

“...tudo que é vida tem fome e tem som”

 

 

“ se não amam, como podem ouvir?

Se dominam, como vão cooperar?

 

Se o som do silêncio faz música és livre.

Os Sons que os Homens não Ouvem (parte 7)


 
 
ODE AO SOM

 

 
“PARA MUITOS HOMENS, O PIOR CASTIGO É O SOM DA SOLIDÃO”

 

“O INFERNO PODE SER UM VIZINHO COM UM SOM LIGADO”

 

 

FIZ DA MÁQUINA O MEU PULSO

E DO RELÓGIO O MEU SOM

Os Sons que os Homens não Ouvem (Parte 6)



O sangue do Som

 

Na cidade, em cada parte

Toca um som

Risco de vida; gosto de intensidade.

 

TUDO QUE É VIVO TEM SOM

TUDO QUE É VIVO PRODUZ UM SOM
 

 

HÁ DE SE DISTINGUIR OS SONS QUE OS HOMENS OUVEM

E O SOM QUE OS MESMOS PRODUZEM

HÁ DE SE DISTINGUIR O SOM QUE VEM DOS HOMENS E DA NATUREZA

SÓ APARTIR DAÍ SABEREMOS E VEREMOS O SANGUE DO SOM

 

O SILÊNCIO É UM SOM QUE SE CONQUISTA

O SILÊNCIO É O SOM DA LIBERDADE

 

A ALTURA DO SOM PODE CAUSAR OS MAIS SÉRIOS CONFLITOS HUMANOS

 

O SOM É PRIMEIRO ELO DA EXISTÊNCIA

 

O sangue do som vem da vida.

Os Sons que os Homens não Ouvem (parte 5)


O Solo do Som

 

“ O som que é bom toca um certo tom no seu coração”

 

“ Saber ouvir: Eis o dilema!”

 

“O homem produz sons, mas também produz surdez. Os sons que os homens não ouvem são aqueles que permitem ao mesmo homem que voe”

 

“Diga o que tu ouves, direi quem tu és"

 

 

Os Sons que os Homens não Ouvem (parte 4)


Memorial da Surdez

 Sons de gente

Que parecem sons de máquinas

Sons de máquinas

Que parecem com de gente

Sons de gente não se ouvem mais

As tuas falas quando saem não são ouvidas na multidão

Sons de máquinas

Que parecem cada vez mais humana

Som humano é cada vez mais som de máquina

Som para trazer emoção
 
Diz o homem: esse não, esse não.

As tuas dores, alegrias, conquistas, perdas  não são ouvidas

     Um homem ignorado é  pior que um homem morto

(ele  sai louco, esbarrando nos homens e nos concretos todos, perguntando se está morto e todos ficam em silêncio).

22 de jan. de 2014

Os Sons que os Homens não Ouvem (Parte 3)


 
Áudio Mudo

 

(O Som da fome é insuportável)

 

 

(O som do céu é o som da floresta)

 

 


(O som da vida faz barulho)

 


 

(O céu do som é que conforta)

 


 
(O Som da miséria é pesado)

 
 

(O som de dentro é de cada um)

 

(O som do medo, mais do que medo)

 

(O som do seio no instante em que o bebê procura vida além do berço)

(O Som da esperança é de embalar)

 
 

(o som das pessoas é  aberto)

 

(O som do encontro imediato do confronto, dos exércitos dos homens que não ouvem)

 

(O som guardado ao encontrar uma pessoa que te desperta para aquilo que nos transforma)

 

(o som cortante é da surdez para o amor)

Os Sons que os Homens não Ouvem (Parte 2)


(Parte pós Sono Sonoro)

O som das máquinas

Império dos surdos

O som do silêncio incomoda

E todos falam, falam, falam

A relação humana é possível de ser vista e ouvida

Basta ir a uma praça pública no centro de São Paulo

O som múltiplo das muitas línguas e aqueles reconhecidos por qualquer mente em qualquer lugar

O Som único é o sim da natureza

E o som fúnebre é de uma chamada de senha

O Som da indiferença toca em todas as casas

Os sons que os homens não ouvem

- E o que é que o homem ouve?

Ninguém responde (Um silêncio na boca, uma certeza nos olhos)

Mas eu garanto que se um sino da igreja ou de dinheiro acontecer

Todos param
(L.C)

Os Sons que os Homens Não Ouvem (Parte 1)




O Som

É um coração batendo, cê não está ouvindo?

É um choro de fome, isso não te incomoda?

É um choro de vida, que pede lar e comida

E para o ouvido do homem é som que não tem prova

O abandono movimentado do centro da cidade

E o som da molecada ao bater do sino da escola
 
O som do consolo que a palma da mão faz nas costas
 
E o som do coração quando se é ignorado

Vem um menino fazendo um som de rua

Não é tamanho de gente

E tem um tamanho...

É um grito de desespero e você está aqui?

É um grito de liberdade, o que é isso?

O som da arma, quando toca na carne

O som da terra quando o sonho bate

O som da música quando a filha chega

O som do carinho na pele dos olhos

O som do sax ao pé do ouvido

O som da criança ao nascer do universo

O som do bisturi ao cortar o cordão

Que liga o filho e mãe e a união

O som do sonho que o agricultor vai pensando

Fazendo o berço da semente, ao pé de tua idade

O Som apropriado para cada descoberta ou levante

Levante-se ao som de Tim Maia.
(L.C)

11 de nov. de 2013

Onda Vaga

 
 
 
Vídeo da Banda Onda Vaga, música Tataralí bem interessante. L.C

24 de out. de 2013

Ana de Santarém que não Ama Ninguém


 
Pablo Picasso - Mulher Chorando (1937)
 
 
 

Ana, se disserdes agora que me ama

Não acreditaria, nem gostaria

De viver a tua sombra, lembrança, mesmo moradia

Não amas ninguém Ana

Se disserdes neste momento que me quer agora na cama

Não sei se sucumbiria ou teria gana

Que o amor dure até se dizer não a pessoa que mais ama

Ninguém amou tanto Ana como eu

Ninguém foi tão capacho de Ana como eu

Ninguém foi capaz de amar Ana como eu

Cheguei até num discurso no boteco do Célio

Dizer que Ana me levava a sério e que seria por séculos e séculos

Até fazia mercado de manhã para comprar baixaria

Que ela gostava com margarina

Até deixei de procurar a noite, as festas.

A Estér do Apartamento 23 e a Fátima da reza

Deixei de mendigar vintém, fazia a compra do mês

Arrumei trabalho, deixei o encontro de carimbó e a cana também

E você Ana, o que faz e o que fez?

Ana de Santarém não ama ninguém

Quem não tem ninguém

Nada tem

Quem não ama ninguém

Não se tem
 
Quem não se ama Ana
 
 Ninguém tem
 
 

15 de jul. de 2012

100 Riffs da História do Rock'n Roll


Depois de ver este filme rola muita vontade de tocar guitarra. O cara deu uma passada em alguns dos mais legais riffs de guitarra da história do rock. É claro que faltou muita coisa. Mas aí, cada um de nós deveria saber tocar a sua e os riffs que gosta não é?
Como a grande maioria não sabe, vamos curtir que é bão demais!
Viva o Rock!!!

17 de mai. de 2012

A mulher do Pinduca

Pintura: Paula Rego


Uma mulher vem chegando rapidamente, tropeçando na esburacada rua, esbarrando nas pessoas no calçadão popular, com lágrimas escorrendo em um dos olhos já que o outro, o esquerdo, o inchaço causado por uma pancada fizeram com que as lágrimas ficassem estancadas como água de represa prestes a estourar. No caminho que faz até o Bar do Pinduca, que é seu marido, percebe-se que fala coisa com coisa, xinga, promete vingança e até lembra da sua mãe (que também tinha cotidiano marcado pelas barreiras impostas não somente aos olhos). Para as pessoas do bairro, que imediatamente se atentaram para o que estava ocorrendo, a cena de uma mulher na rua aos prantos sempre foi incomum, mesmo que, soubessem, que no escuro da noite e no dia de qualquer ódio, isto fazia parte da rotina desta e de outras mulheres. Aquele momento era o momento da libertação, do cansaço e do fim da escravidão e do medo. Assim, por onde ela passava, as pessoas acompanhavam-na timidamente atrás de seus passos, sabedoras estas que estavam diante de um caso grave ocorrido. E o povo querendo fuxico. Poucas ou nenhuma destas pessoas estavam preocupadas com alguma justiça a ser feita. Queriam mesmo é ver a desgraça alheia sendo telespectadores de sua sutil tirania.
A mulher, agora a poucos passos da entrada do bar, percebeu que não sabia o que ali iria fazer, o que falar. Era como se estivesse sonhando e neste momento tomasse consciência dos fatos ali e agora. Parou a 100 metros da porta, na calçada do outro lado da rua. As pessoas falavam baixo e discretamente. Dois homens, inclusive, apostaram uma rodada de cerveja sob o resultado do confronto e independente do ganhador, a cerveja seria tomada no bar do Pinduca com o próprio dono do estabelecimento.
A mulher, ainda parada, com a respiração agitada, parecia agora presa nos pensamentos contraditórios; de um lado, o ódio derramado pelo estouro de uma represa e, de outro, o medo, não só das pancadas , mas  de ser deixada ao léu, como uma mendiga de um dia para a noite, já que não tinha dinheiro nem ocupação. Indagou-se sobre o amor que sentia pelo marido. Não sabia responder. Vieram muitas lembranças do rio corrente da memória: o namoro na adolescência, o primeiro beijo, o casamento e o nascimento do filho, as surras de chicote, os socos na cara, a perseguição, os murros na porta trancada, a violência do mundo nos punhos daquele pobre homem. O amor não foi suficiente. Os anos de violência pesaram. Ela estava ali; machucada, duvidosa, ferida, carente e cansada em frente ao bar. 
Ainda sem saber a decisão a ser tomada foi surpreendida por um grito de alguém estimulando-a a partir para cima, fazer alguma coisa. No mesmo instante, sem ela perceber, o marido já estava bem a sua frente. Esperou alguma ação por parte da mulher, mas nada acontecia. Nele havia uma raiva por ela ter publicamente mostrado o que acontecia em  casa.
Esperou mais um pouco e nada. Os olhares dos dois diziam claramente o que estava contido nos pensamentos de cada um, numa troca de confidências sincera, como outra não poderia ser.  O olhar da mulher foi se mostrando como um misto de pena, dó, tristeza ao ver aquele homem com quem dividiu tantos anos de sua vida.  O público, a espera, ansioso por alguma ação que provocasse uma adrenalina, coçava a cabeça e mordiam as unhas. O público vaiava como um torcida. Alguns tiravam fotos, outros xingavam os jogadores.
Nesse nem chove nem molha, Pinduca tomou a frente e se ela ficasse calada ou ele pedisse desculpas mais uma vez, provavelmente a sua mulher, baixaria a cabeça, envergonhada, e voltaria calada para a casa, possivelmente faria o jantar do marido como sempre fez, tomaria um  banho, limparia o machucado e, como em todas as outras brigas, fariam amor ao se deitar.
Mas, Pinduca fez diferente. Ao chegar em frente a mulher, seus olhos demonstravam o ódio causado pela exposição no bairro e a afronta dela em ir  tirar satisfação. Ele agarrou fortemente um dos braços dela e disse rosto com rosto:
- O que cê veio fazer aqui mulher? Veio me afrontar é sua... ? Não tá vendo que todo mundo tá vendo você desse jeito, todos os clientes do bar.  Quer me denunciar pra polícia? Pois hoje, depois do expediente, você vai me esperar em casa, no quarto, de banho tomado,  porque  você vai aprender a não me desafiar, nunca mais, nunca mais... Cada lugar do teu corpo terá uma marca.

Após terminar a frase, imediatamente após a última frase, ele soltou o braço da mulher. Ela fixou um olhar de estranha frieza. E, enquanto o marido falava a última frase "...Cada lugar do teu corpo terá um marca"  levemente observou  a rua cheia de carros e retornou a olhar para o marido ao fim da frase. Mirava-o, naquele momento não se lembrava de nenhuma bondade do marido, dos tempos de romantismo, do nascimento do filho, em nada. Mirava-o e calmamente disse no fundo dos seus olhos " Você nunca mais vai encostar um dedo em mim e em ninguém seu desgraçado. Vai pro inferno".
Pinduca não teve nem tempo de responder. A mulher, maliciosamente, avistou a vinda de um ônibus circular na avenida e com os dois braços, empurrou o marido que estava sobre o meio fio da rua. O choque foi inevitável. Pinduca foi arremessado por vários metros e teve morte instantânea no local. A mulher, ficou ali, imóvel e estática no lugar que atirou o marido. Foi levada alguns minutos após para a delegacia.
Os dois homens da aposta, logo após a retirada do corpo, foram beber a cerveja apostada no bar concorrente do Pinduca.  Lá lembravam os fatos ocorridos e relatavam o caso como se fossem comentaristas de segurança, além de dizer da vida e morte, dos podres e dos goles, dos sambas e dos torresmos com mandioca do falecido Pinduca. Também diziam ao Jonas, proprietário do concorrente, que este assumiria a freguesia do bairro e cresceria proporcionalmente. A notícia deu em vários jornais e canais televisivos. Fotos e imagens de celular foram compradas e mostradas em primeira mão.



5 de abr. de 2012

A Janela do Dia Segunda no Ponto




Estava andando de ônibus coletivo na capital um dia desses e ao sair, percebi que havia  preso na sola do meu sapato uma folha de papel. Neste, havia um texto escrito por alguém, sem assinatura. Me parecia incrível que aquele papel estivesse ali ainda, visto a condição encontrada. Foi difícil entender algumas palavras, quase apagadas. Estava apenas intitulado “A janela do Dia Segunda no Ponto”. Reproduzo-a na íntegra:


(...)
Tudo acontece rápido. Início e fim de cada dia, início e fim de tudo. Passo mais tempo dentro deste ônibus do que com a família. São de 06 a 09 horas diárias, são três linhas a cada ida ou vinda. Minha filha disse que era para escrever um texto sobre o que vejo sentado em um banco de ônibus. E na rotina de cada dia, de muitos dias, de milhares de horas acumuladas como se fossem uma espécie de sentença, prisão do tempo, não se tem muitas novas.
Pra Si, com amor e carinho


São tantos rostos e tantas rotas, a realidade ou a falsa realidade criada, as insignificâncias e alegrias de cada um (de um jeito ou de outro), gente de todo lado, gente que de longe parece longe da gente, longe de tudo. No ônibus passo o maior tempo da minha vida, coisas do trabalho. Vejo os momentos e instantes de encontro e de despedida, realidades de confronto e de acolhida, muita propaganda e publicidade, pichações sobre tudo que é concreto, acidentes e acessos de carros. A casa sendo erguida e o debaixo da ponte, um irmão vendendo água nos pontos de embarque, as meninas esguias que vão correr ao fim de tarde, o amontoado de pessoas de todas as raças no sinal ao lado, o senhor pobre que trabalha na grande obra, até no feriado de sexta feira santa, comendo uma quentinha, aspecto magro e inocentemente feliz. As passarelas sobre os carros e as antenas de televisão sobre o teto de tudo que é chamado de casa, o olhar cansado do trocador e o campo de terra de todo mundinho, o cumprimento dos motoristas no farol, as praças e igrejas no centro de todo lugar, os carrinhos de churros e os de burros, os pontos de táxi e os pontos da noite, um cristo e uma placa a cada entrada, as pessoas com pressa, a boca cheia de coca (nada é de graça), a menina que não tira o olho do rapaz de camiseta rosa, as frases de desconto e de promoções na ponta de estoque, os cartazes dos shows da semana, os anúncios de formação profissional e das casas de empréstimo popular, os vendedores de picolé e da fé, as carroças resistentes que vislumbram um lugar ao sol na avenida principal, o casal que de mãos dadas caminham pelas tantas, as franquias, os parques, os mananciais de bosta, as cercas elétricas, os aglomerados da massa, uma garota que segura firme seu par na moto ao cruzar o sinal vermelho de trânsito em alta velocidade, como se isso fosse ajudar em alguma coisa.Entre carros, caminhões, bicicletas, pessoas e meu olhar, vejo um cachorro de rua comer um rato morto; o olhar de mais um que se cruza ao meu, um homem que chora por outra janela, as pessoas que se juntam ao final de um dia de trabalho e esperam, agora ansiosas, para entrar em um ônibus e retornar as suas casas,  beijar seus amores, jantar, namorar e ver o jogo ou um filme se não estiver muito cansado, antes de desmaiar até as quatro, quando o despertador do relógio irá tocar para  mais um dia recomeçar.
(L.C)

15 de mar. de 2012

Munição de Soul Funk


Capa do albúm Spank Wilson e The Quantic Soul Orchestra - I'm Yhankful (2006)

Uma aula de Soul Funk. A grande Spanky Wilson, diva desde os anos 60 se juntando com o grupo de Will Holland que também tem ótimos trabalhos com nomes como "Quantic - Flowering Inferno", dentre outros. Este som é do espetacular e essencial album "I'm Thankful" de 2006. 

30 de jan. de 2012

Tempo de Cícero


Artista: Cícero
Música: Tempo de Pipa


O Album "Canções de Apartamento" do Cícero foi considerado um dos grandes lançamentos do ano de 2011. Recomendadíssimo. Este clip é da primeira faixa do álbum e se passa dentro de um bondinho no Rio. Espero que apreciem.

13 de dez. de 2011

Vânia do Adamastor

"Sorrow" - Vincent Van Gogh


A condição da vida de Vânia
A espera do amor virou ânsia
A realidade de dor cegou coração
E a vontade de viver passou a depressão

A relação da sina de Vânia
A sujeição do amor frente à miséria em voga
A coroação da vida numa pipa com restos de pólvora
E a sustância de crer para não morrer pela própria mão

A convulsão que pegou Vânia
No meio da praça da Sé
A podridão da vida de Vânia no bairro do Tatuapé
Sofre agressão do marido e quase não janta
Pra sobrar mais arroz pro filho José

Vânia pensa que a paciência é uma arte
E que a força é necessária muito mais pra alma do que para o corpo
Tem a força da água e do fogo
Vânia é descartada como sacola plástica
Operária das pragas, mulher do tricô
Tarada com chocolates, a espera de um milagre com nome amor
Ela é conhecida como dama da noite e companheira do Adamastor